Pão dos Pobres

Junho traz as festas populares, de santos que o povo não esquece. Na paróquia Santo Antonio, em Jales, um dos encantos da concorrida festa do Padroeiro é a farta presença do Pão. É o “pão de Santo Antonio”, que todos fazem questão de trazer em fartura, para ser abençoado, e distribuído à regalia. O pão do Santo acaba se tornando “o pão dos pobres”. Eles voltam para casa, felizes da vida, porque fartos de pão, e munidos de provisão.

Na festa de Corpus Christi foi o Evangelho que fez acontecer a presença do pão, em forma de hóstia sagrada com o seu simbolismo eucarístico, e na forma de alimentos para começar o mutirão nacional para a superação da miséria e da fome.

Agora, são os santos que suscitam, de novo, a presença do pão. Eles expressam a coerência do Evangelho. Os santos o testemunham na prática. Cada santo é um novo “evangelho” de Cristo, escrito não em palavras, mas pela demonstração de suas vidas.

Nisso encontramos a validade da celebração dos santos. Esquecê-los, ou ter constrangimento em lembrá-los, seria ficar na teoria, e reduzir o Evangelho de Cristo a palavras, sem incidência na vida concreta.

Aliás o próprio Evangelho coincide, em primeiro lugar, com a vida de Cristo, e só num segundo momento com as palavras que foram conservadas por escrito a respeito de sua vida. Assim também os santos: são o evangelho vivido por pessoas concretas, semelhantes a nós, como a Madre Paulina. Não há incompatibilidade entre fé em Cristo e devoção aos santos. Ao contrário, a celebração dos santos testemunha a fecundidade do Evangelho e a possibilidade prática de sua vivência.

Em tempo de campanha política percebemos a penúria de propostas concretas para resolver os problemas apontados. Poderíamos dizer que se ficamos só com a fé teórica em Cristo, sem a mediação concreta dos santos, também ficamos na penúria de demonstrações práticas de como ele pode ser vivido.

Na festa de Santo Antonio, o pão se reveste de valores evangélicos bem claros. Na tradição popular, Santo Antonio lembra a tríplice dimensão do pão. O pão da Palavra, o Pão Eucarístico, e o “Pão dos Pobres”.

Santo Antonio foi exímio professor de teologia, categorizado catequista, e missionário audacioso. Ele nos dá um claro testemunho de como a fé cristã nos desperta a consciência e nos impulsiona para a missão.

Ao mesmo tempo, Santo Antonio foi místico profundo, encontrando no Pão Eucarístico a presença viva do Senhor, que sua imagem popular captou na forma acolhedora do Menino Jesus que ele leva nos braços. Cristo também foi místico, e seu Evangelho continua sendo escola de misticismo para todo cristão que se preza.

E finalmente, Antonio foi santo porque, como todos os santos, praticou a caridade, simbolizada no “pão dos pobres” que ele ainda inspira para todos os seus devotos.

Podemos, então, concluir que Santo Antonio está de acordo com os critérios do “mutirão”, lançado pela CNBB. Para superar a miséria e a fome, não basta só um tipo de pão. O “pão dos pobres” é o mais urgente, sim, mas é o terceiro na ordem das prioridades Sem mística as pessoas não sustentam suas motivações de viver com dignidade. Sem conscientização, não percebem a causa dos problemas, nem os resolvem. Sem a força contagiante da solidariedade, não há mutirão que vingue.

Mais que apontar para o céu, os santos mostram o caminho de viver o Evangelho nesta terra. Para que se transforme em pão que dá vida ao mundo.

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