O Jiló de minha sogra

Quem é que nunca foi tentado pela vaidade? Pois é… Como um ser humano normal que sou, dou meus “vacilos”. O primeiro deles é ter escrito um texto sobre meu sogro antes de homenagear minha Sogra (texto “O café do seu Valdir”). Perceba: a palavra Sogra sempre a parecerá com letras maiúsculas. Um detalhe que faz toda a diferença.

Deveria ter falado dela antes… Tive problemas diplomáticos familiares muito divertidos. Afinal de contas, teve gente até da Bulgária que perguntou a receita de café do meu sogro. E sobre a Sogra… Nem perguntaram se ela tomava o tal café.

Mas o maior dos vacilos e a questão da vaidade não têm nada haver com a mãe de minha esposa, tem haver é comigo mesmo. Estava muito ocupado no fundo do quintal desmontando uma grade de madeira com tela. Entre pregos, martelos e parafusos, eu pensava em uma série de coisas “chiques”.

Lembrava que meu dia tinha sido glorioso; meu trabalho havia sido muito bem sucedido; ganhei de um amigo, livros importantes para estudar; participei de decisões, tudo deu certo. De repente, no meio de uma ocupação mental tão vaidosa, percebo minha Sogra, do outro lado do quintal olhando atentamente uma planta e seu fruto.

Ela também percebeu que eu estava ali e pediu que eu me aproximasse. Cheia de profundidade, ela exclama:

“Veja que belo jiló! Nossa que jiló lindo!”

AAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!
Fala sério! Ninguém merece! Jiló Bonito!?

Será que alguém já admirou um jiló e percebeu em sua efêmera beleza? Fiquei realmente estupefato com a exclamação de minha Sogra e achei que a “doce velhinha” estava delirando.

Mas ela continuou:
“Ninguém plantou este pé de jiló aqui. Ninguém comeu jiló nesta casa, ou seja, algum pássaro trouxe uma semente de jiló, ninguém percebeu e já temos frutos de jiló aqui.”

E aí ela concluiu:
É… a gente tem que se preocupar menos com certas coisas da vida e se deixar levar como uma semente. Onde cair, silenciosamente crescer e se deixar reconhecer pelos frutos lindos depois de um tempo que só Deus sabe qual é.

Depois dessa, percebi que Deus falava pela simplicidade de minha Sogra. Percebi que precisava ter pensamentos menos grandiosos por que a grandeza já estava ali, num belo fruto de jiló.

“Não sabeis que julgaremos os anjos? Quanto mais as pequenas questões desta vida!” (ICor 6,3)

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