Numerologia, Bíblia e Igreja

Uma das modas dos últimos anos é mudar alguma letra do nome para melhorar a sorte. Também aumenta o número de pessoas que consultam o melhor número para realizar suas atividades. Essas práticas demonstram a crença de que os números, e as letras associadas a eles, têm a força para revelar aquilo que queremos saber sobre nossas necessidades e também influenciar o futuro. Chama-se a isso de numerologia.

Numerologia é o estudo qualitativo dos números aplicados ao ser humano. Também são utilizadas as letras do alfabeto, convertendo-as em números por meio de uma tabela e assim determinando um valor numérico para nomes.

Para a numerologia, os números ou letras nos dizem como somos, com o que viemos a este mundo e qual será o nosso destino. Trata-se de um método de predição do futuro. Existem diversos métodos de adivinhação que também usam a numerologia: Tarô, Cabala, I Ching, entre outros.

A numerologia tem duas crenças básicas: a vida é cíclica e não linear, e o mundo é dinâmico, está vivo, e tudo que está nele também vibra com sua energia. Os números simbolizariam esse fluxo cíclico de energia e os padrões da vida. Desse modo, cada número teria sua própria vibração e representaria caráter, poder, potencial e oportunidades. Para a numerologia, o poder e o potencial de tudo na natureza, incluindo nós mesmos, é mais bem compreendido mediante o estudo detalhado dos números.

A numerologia tem suas raízes no ocultismo e está ligada a antigas artes adivinhatórias. A adivinhação é a pretensão de prever as coisas futuras e ocultas. Pretende descobrir aquilo que pertence somente a Deus. Em diversas ocasiões Israel usou desse recurso, desobedecendo à Palavra de Deus:

“Fez passar pelo fogo seus próprios filhos no vale de Beninom; entregou-se à astrologia, à adivinhação e à magia, praticou a necromancia e a bruxaria, e multiplicou-se atos que desagradam ao Senhor, provocando-lhe assim a ira.” (2 Cr 33,6)

“Não escuteis, portanto, vossos profetas e adivinhos, nem vossos vaticinadores, astrólogos, e feiticeiros que vos disseram que não sereis sujeitos ao rei da Babilônia” (Jr 27,9)

Desde o início, o Cristianismo manteve a proibição da prática de adivinhação. Os Concílios de Vanes (461), de Adge (506) e de Orleans (511) excomungaram os adivinhos de qualquer tipo. O Catecismo da Igreja Católica, nº 2115, ensina que o verdadeiro católico professa a certeza de que seu futuro está seguro em Deus.

“Deus pode revelar o futuro a seus profetas ou a outros santos”. Todavia, a atitude cristã correta consiste em se entregar com confiança nas mãos da providência no que tange ao futuro e em abandonar toda curiosidade doentia a este respeito. A imprevidência pode ser uma falta de responsabilidade.

Artigo extraído do livro “Católico pode ou não pode? Por quê?” de Padre Alberto Gambarini, Edições Loyola, 2005.

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