Nós ressuscitaremos dos mortos

A agitada vida urbana de nossos dias solicita constantemente nossa atenção. São as preocupações com nosso trabalho, com nossa profissão e eventual promoção, com as possibilidades de perder o emprego, com as dificuldades de manter um nível de vida digno ou de alcançá-lo se estamos abaixo deste nível. Junta-se a isso o grande volume de informações sobre acontecimentos, interpretações dos fatos, idéias e debates, que nos chega através dos noticiários do rádio, da televisão, dos jornais e das conversas no meio em que vivemos e trabalhamos. Além disso, somos sempre incentivados a assumir mais trabalhos e mais responsabilidades e tarefas.

Tudo isso e tantos outros ingredientes da vida urbana cotidiana fazem com que muitas pessoas fiquem totalmente mergulhadas nos afazeres deste mundo e se desliguem praticamente daquilo que Jesus disse ser a única coisa necessária, naquela conversa com Marta, a irmã de Maria e Lázaro, em Betânia: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só” (Lc 10, 41-42). Jesus falava de nossa relação com o Pai celeste e seu Reino.

Dedicar-se a essa única coisa realmente necessária não nos aliena de nossas responsabilidades e missão neste mundo. Ao contrário, lhes dará uma dimensão maior, ou melhor dito, lhes dará sua verdadeira dimensão, que ultrapassa o que vemos e podemos perceber no dia a dia da nossa vida terrena, pois nos orienta para a eternidade e a vida junto de Deus.

De fato, nossa vida não se restringe a este mundo e nossa morte não é o término de tudo. Ao contrário, Deus nos chamou para algo muito maior e que durará para sempre. A morte será vencida e Deus nos ressuscitará no fim dos tempos, para então nunca mais morrermos. O importante é que esta vida futura, eterna e imortal seja junto de Deus e não na condenação eterna. Será que no dia a dia da vida estamos suficientemente conscientes da importância vital de tudo isto? Ou a agitação da vida nos fez esquecer bastante desta única coisa necessária ou até a ter menos fé nisso tudo?

No Evangelho de João relata que Jesus soube que Lázaro, irmão de Marta e Maria, havia morrido. Jesus tinha uma grande amizade por este grupo de três irmãos, que muita vezes o acohiam em sua casa, em Betânia. Dirigiu-se então depressa, com seus discípulos, para lá. Quando chegou, Lázaro já estava sepultado havia quatro dias. As duas irmãs, Marta e Maria, receberam a Jesus e lhe disseram que Ele poderia ter curado Lázaro, se houvesse estado aí. Mas agora, ele já estava morto e sepultado. Jesus lhes diz que Lázaro ressuscitará.

Marta responde: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isso?” Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tú és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. Jesus, então, manifesta seu poder de ressuscitar os mortos, vai ao túmulo de Lázaro e o ressuscita da morte.

Em outros textos do Evangelho Jesus também fala da nossa ressurreição futura, p. ex., quando fala da Eucaristia: “Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 53-54). “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,44).

Renovemos a nossa fé na ressurreição de Jesus e na nossa ressurreição no fim do mundo, pois esta é uma verdade central da nossa fé cristã. Essa verdade ilumina também nossa vida neste mundo e manifesta que Deus é mais forte do que o mal e a morte e, portanto, também podemos, com a força dele, transformar a sociedade e torná-la mais humana, justa e solidária. Essa verdade nos fala da verdadeira “terra sem males”, de que os povos indígenas tinham um prenúncio. Neste contexto, a Igreja agora na quaresma, através da Campanha da Fraternidade 2002, quer também empenhar-se na busca da justiça e da solidariedade especialmente para com os povos indígenas.

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