A palavrinha é aqui entendida não no sentido genérico de crença ou opinião religiosa, mas em sua acepção teológica cristã. Pela fé o ser humano submete livremente sua inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o crente dá seu assentimento a Deus que se dirige a nós por Sua Palavra.

É um ato que, com a Sagrada Escritura (cf. Rm 1,5; 16,26), denominamos “obediência da fé”. A fé é então a resposta do homem ao Deus que revela. “Obedecer” (do latim ob-audire = ouvir com atenção) na fé significa submeter-se espontaneamente à palavra recebida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a própria Verdade.

Como resposta da razão humana à revelação divina, este ato de fé é na verdade um autêntico conhecimento. A liberdade de pensamento não significa que a razão humana deva fechar-se às luzes da revelação divina. O conhecimento pela razão pode e deve ser completada e enriquecida com informações que recebemos de outros.

Pobres de nós se apenas conhecêssemos o que pessoalmente entendemos. Fascinam-nos os cientistas quando nos informam sobre os mistérios do átomo, dos genes ou dos astros. Podemos não entender o que nos diz o especialista, mas sentimo-nos por ele enriquecidos em nossos conhecimentos.

Será então uma ciência pela fé na autoridade competente dos cientistas. Eles sabem mais; e nós nos deixamos instruir por sua autoridade e competência. Reconhecer os limites de nossa razão e receber então instruções de outros não só não contraria nossa natureza racional, mas ajuda-a no crescimento. Dar fé à competente autoridade de um cientista não é irracionalismo. O contrário seria irracional.

Semelhante norma vale evidentemente também quando nos colocamos diante da autoridade de Deus que, em sua bondade e sabedoria, quer revelar-se a si mesmo e manifestar o mistério de sua vontade, pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, e no Espírito Santo, têm acesso ao Pai.

Esta fé então não é um peso desagradável que nos é imposto, mas um rico dom de Deus que se aceita com liberdade, alegria e gratidão, como auxílio valioso em nossas limitações humanas, como farol brilhante no nosso caminhar às apalpadelas no meio da neblina de nossa peregrinação, como poderosa libertação na tateante procura da razão.

A fé nos eleva, engrandece e dá coragem. A fé nos permite contornar os abismos, evitar os escolhos, andar por caminho certo e marchar com tranqüilidade em direção ao Pai.

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