Deus ama a quem dá com alegria.

«Deus ama a quem dá com alegria» (2Cor 9,7).

Como qualquer outro pai e mãe, Deus deseja ver seus filhos sempre bem dispostos, sempre felizes, sempre ressuscitados, apesar das dificuldades – aliás, se fôssemos santos, diríamos: exatamente por causa das dificuldades.

Evidentemente, não se trata de uma alegria meramente humana, fruto do ter, do prazer e do poder. Esta é uma alegria falsa e passageira, que deixa o coração mais vazio e amargurado do que antes, uma alegria que, não poucas vezes, é construída sobre a dor e a amargura dos outros. Todos os que têm idade e experiência sabem que, quanto mais se busca preencher a fome de felicidade, que todos sentimos, com essas alegrias, a frustração que daí nasce pode acabar se transformando em depressão incurável.

A verdadeira alegria nasce da certeza de sermos amados por Deus sempre, a cada instante, não porque somos bons, mas porque Ele é bom. Aliás, Deus nada mais faz senão praticar o que Ele mesmo ensinou no Evangelho: «Se amais somente os que vos amam, que prêmio mereceis? Também os pecadores fazem isso. Se amais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Também os pagãos fazem isso…»
(Mt 5,46).

Se acreditamos que Deus é sempre e somente amor; se acreditamos que somos amados infinitamente por Ele, então será natural exclamar, com São Paulo: «Estou cheio de consolo, transbordo de alegria em toda a espécie de tribulação» (2Cor 7,4). Por que? «Porque – é ainda São Paulo quem o lembra – sabemos que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus» (Rm 8,28).

É aprofundando essa verdade que os verdadeiros cristãos, que são os santos, chegam a entender que a felicidade, muito mais do que das riquezas, dos prazeres, do bem-estar e do poder, brota da pobreza, da parcimônia, do equilíbrio e até mesmo do sofrimento, porque – escreve Chiara Lubich – é «somente passando pelo gelo da dor que se chega ao incêndio do amor».

Esta afirmação de Chiara me traz à memória o que dizia um santo frade capuchinho, quando eu, habituado a queixar-me das amarguras da vida, recorria a ele para buscar conforto e apoio: «Graças ao mistério pascal, as coisas vão bem quando vão mal…».
Não se trata de masoquismo ou, pior ainda, de sadismo; trata-se, pelo contrário, de uma lei da vida: para produzir fruto, o grão de trigo precisa ser enterrado e morrer. Se não quisermos passar por essa metamorfose, o grão – ou seja, eu e você – acabaremos asfixiados pela solidão do egoísmo.

A verdadeira alegria nasce de nossa capacidade de doação: «Há mais felicidade em dar do que em receber» (At 20,35). Quem vive buscando ansiosamente tudo o que o satisfaz; quem nada quer senão acumular bens materiais, sem se importar com a situação dos outros; quem faz de seu corpo e de sua beleza o principal escopo da vida; quem pretende apenas subir e aparecer, mesmo que às custas dos demais, jamais será feliz, porque sempre pensará que ainda não alcançou suficiente. Aliás, cada momento de satisfação aumentará a fome de felicidade e, assim, o círculo vicioso nunca se fecha.

A conclusão só pode ser uma: deixar-se arrebatar pelo amor de Cristo. Então a vida será outra: «Quem nos separará do amor de Cristo: o sofrimento, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada? Não, pois em tudo isso somos mais do que vencedores, graças Àquele que nos amou» (Rm 8, 36-37).

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