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Celebrar o Natal na Missa: o encontro real com o Verbo Encarnado

O verdadeiro sentido do Natal e o risco do consumismo

O Natal carrega, intrinsecamente, na sua identidade, um movimento de união e fraternidade, tornando as pessoas mais sensíveis a lembranças e memórias. É importante que as pessoas vivam esse momento de fraternidade, que é também um tempo de perdão e onde muitas pessoas experimentam a reconciliação.

No entanto, esta época também apresenta um risco: o consumismo desenfreado. A busca por compras, prazeres e as muitas comemorações e eventos podem levar a uma busca desregrada pelo prazer. Quando isso ocorre, corre-se o risco de esquecer o verdadeiro sentido e centro do Natal, que é o mistério de nosso Senhor Jesus Cristo, o seu nascimento e o reconhecimento de sua centralidade na vida da humanidade e de cada cristão. Essa perda de foco muitas vezes decorre da falta de uma catequese apropriada ou da nossa falta de interesse em buscar o conhecimento.

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Fraternidade centrada em Cristo

É crucial viver a fraternidade e a união, mas de forma clara e mais centrada em Jesus Cristo. O Mistério Central, a Kénosis de Cristo para trazer à luz o mistério da divindade unida à humanidade. A Palavra de Deus, em Filipenses, capítulo 2, apresenta o famoso hino cristológico, que trata da kénosis de Deus — o que significa a “descida de Deus”.

A descida de Deus segundo Filipenses 2

São Paulo explica que Cristo, existindo em forma divina, não se apegou ao fato de ser igual a Deus, mas, em um ato de despojamento, assumiu a forma de escravo e se tornou semelhante ao ser humano. Encontrando-se em aspecto humano, Ele se humilhou, fazendo-se obediente até mesmo à morte, e morte de cruz. Por essa razão, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o nome que está acima de todo nome, garantindo que em nome de Jesus todo joelho se dobre, no céu, na terra e abaixo da terra, e que toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai.

A Centralidade da Salvação

Essa descida de Deus é a resposta ao desejo de Deus Pai, que sempre buscou salvar o ser humano das trevas do pecado, fazendo com que seu filho Jesus se tornasse homem, sendo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com o único intuito de nos salvar.

O grande mistério celebrado no Natal é, portanto, o mistério da salvação. É importante notar que o mistério da salvação não se manifesta somente na cruz, mas já na encarnação e no seu nascimento.

Nascimento e Eucaristia: a unidade do Mistério

Tanto no nascimento de Cristo, na manjedoura em Belém, quanto na Eucaristia, Cristo é o centro. O Cristo que nasce e o que se oferece na Eucaristia é o mesmo.

Existe uma conexão interessante na maneira como o Cristo é celebrado em ambos os mistérios: no nascimento de Cristo, pastores, reis magos e todos os povos se reuniram ao redor do menino que nasce. Da mesma forma, no banquete eucarístico, todos os povos e nações estão ao redor do altar.

A pobreza e a humildade do Cristo

Um elemento fundamental que une o nascimento de Cristo e a Eucaristia é a pobreza e a humildade. O mesmo menino pobre presente no nascimento é representado na Eucaristia nas espécies simples do pão e do vinho, unindo o povo ao redor para comungar. A kénosis, a descida de Deus, tem a humildade como seu elemento fundamental. Essa humildade se faz presente na manjedoura, atraindo a todos. Na Eucaristia, o mesmo Cristo, humilde e pobre, se entrega a nós como alimento. A vida de Cristo foi uma entrega total, livre e humilde, desde o seu nascimento.

A mensagem final: a solenidade da pobreza e da humildade

O Natal é a solenidade da pobreza e da humildade. Para que haja entrega, é preciso humildade, uma qualidade extremamente presente na pessoa de Cristo. Não é possível viver a unidade e a fraternidade, e não é possível ter o Cristo como centro, sem que portemos um coração humilde.