A Pedagogia dos Salmos

Os salmos por serem preces significativas, comunicam uma série de pensamentos altamente positivos que conduzem à serenidade e produzem precioso equilíbrio psicossomático. Quem os medita conclui que eles são um manancial de diretrizes valiosas. Suas idéias e afetos estão impregnados de rara sublimidade.

Tracejam orientações luminosas. Impregnam a existência de saudável esperança. Exprimem firme confiança alegre paz, triunfante segurança. Revelam o significado do cosmo. Mostram um Deus justo e misericordioso. Solucionam magnas indagações do espírito humano. Aquietam a consciência. Iluminam a mente. Inoculam harmonia, serenidade. Vogt ensina que ‘os salmos são um universo de preces e louvores, cheio de maravilhosa poesia. Ainda hoje empolgam o leitor que queria sintonizar com eles a alma’. Eis um conselho maravilhoso: ‘Confia em Deus e faz o bem, habita a terra e vive tranqüilo; coloca no Senhor a tua alegria e Ele fará o que pedir teu coração’ […]

‘Confia no Senhor a tua sorte, espera nele, e Ele agirá; como a luz, fará brilhar tua inocência, e teu direito, como o sol do meio dia’. Seguir estas normas é garantir imperturbabilidade completa. A aspiração suprema do ser racional é ser feliz. Surge então uma pergunta e uma resposta, um problema e a solução:

‘Quem dentre vós deseja viver e conhecer dias felizes? ? Guarda do mal a tua língua e teus lábios de toda a mentira. Faze o bem e evita o mal; procura a paz; vai a seu encalço’. Num mundo tão agitado e no qual predominam, tantas vezes, atitudes neuróticas, depressivas, colocar em prática estas advertências é gozar de paz íntima: ‘Confia no Senhor e guarda o seu caminho e ele te exaltará para que possuas a terra’.

Quantos males físicos estariam atalhados se todos seguissem este preceito do autor sagrado: ‘Deixa a ira! Abandona o furor! Não te irrites.’. De fato, o equilíbrio do corpo e do espírito depende da calma interior como aliás fica claro nesta passagem: ‘Existe muita paz para os que amam, Senhor, a vossa lei’.

Perante a insensatez dos que se separam das leis divinas e ante o terrível mistério da iniqüidade, uma observação altamente pedagógica: ‘Não te irrites por causa dos maus, nem invejes as pessoas desonestas: eles murcham tão depressa como a grama, e como a verdura secarão’. É que um pouco mais e o ímpio desaparece; indagas por seu lugar, não mais existe; mas os mansos possuirão a terra e nela gozarão de imensa paz’. Quando tantas pessoas andam à procura de livros de auto-ajuda para apartar a angústia, evitar preocupações, combater a agonia existencial, lhes seria um antídoto de real valia a leitura dos salmos. Aí deparariam a lídima sabedoria.

Além disto, estes hinos inspirados oferecem preces encantadoras, pias reflexões, envoltas na expectativa fagueira da ajuda de Deus para os que O amam. Confiança no meio das tribulações é o que inspiram estes versículos: ‘Deitei-me tranqüilo e adormeci, desperto sem cuidado; o Senhor me ampara. Não tenho medo da gente numerosa, contra mim, de tocaia, ao meu redor’. …

‘Quanto a mim, em vosso amor confio: Meu coração exulta, pois me salvais. Ao Senhor quero cantar por todo o bem que me fez’…. ‘O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei?’. Exemplo típico de uma frutuosa oração, que mescla a penitência e a esperança é este cântico: ‘Das profundezas clamo a ti, Iahwe: Senhor, ouves meu grito! Que teus ouvidos estejam atentos ao meu pedido de graça! Se fazes contas das culpas, Iahwe, quem poderá se manter? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido. Eu espero Iahwe, e minha alma espera, confiando na tua palavra; minha alma aguarda ao Senhor mais que os guardas pela aurora. Mais que os guardas pela aurora aguarda Israel a Iahwe, pois com Iahwe está o amor, e redenção em abundância: Ele vai resgatar Israel de suas iniqüidades todas’.

A falha moral, triste possibilidade da fraqueza humana, é vista numa ótica de imensa compreensão dignificadora. Aliás, Davi, poeta incomparável, que superou na lírica grandes gênios, conheceu também a corrupção da qual se ergueu corajosamente para lastimar o seu erro e implorar clemência do Onipotente. Daí porque, no famoso salmo cinqüenta, assim se dirige a Deus: ‘… por vossa bondade imensa apagai a minha iniqüidade.

Lavai-me todo inteiro de minha culpa e do meu pecado purificai-me… Absolvei-me do pecado e serei puro, lavai-me e ficarei mais branco do que a neve’. Vale a pena ler e meditar os salmos!

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