A nobreza da simplicidade

Lembro-me muito bem de quando eu ia de férias para a casa da minha tia na roça, saía da cidade e ia para o interior. Lá eu via muito verde, bois, vacas, homens andando a cavalo, caminhão de leite, a padaria era a vendinha do seu Euclides que ficava na esquina, eu e meus primos tomávamos banho no ribeirão e a comida era de fogão à lenha, inclusive ainda hoje é – minha tia não aderiu ao fogão à gás.

Começo por aqui para dizer que, como eu vivia na cidade, eu precisava viver a vida da cidade e, então, ter toda uma postura de “gente” que não tem problemas, da qual a situação financeira é boa, que as roupas precisavam ser de marca; mas quando eu chegava na roça, tudo isso caía, a máscara de pedra era quebrada e assim eu podia sentir o cheiro da natureza.

Ainda, hoje, quando volto lá, vejo que a casa continua nobre, o fogão à lenha imponente e branquinho por causa da cal e as pessoas não perderam a nobreza de prosear, contar causos, de perceber o crescimento do ninho do João – graveto. E quando eu ia dormir, no quarto tinha daquelas janelas de madeira fechada que mesmo de manhã parecia noite.

O mais interessante de tudo é que a Canção Nova nasceu num lugar onde a capela era um antigo galinheiro e a sala de pregações era na sala de uma casa de fazenda, em Areias-SP. Graças a Deus tive a chance de conhecê-la. O Diácono Nelsinho Corrêa dizia que o Padre Jonas celebrava e o boi colocava a cabeça para dentro da capela; o som dos passarinhos fazia o chamado “BG” (Background) das orações. A nobreza da Canção Nova não está no que ela faz – porque de pessoas que rezam ou fazem caridade, graças a Deus, a Igreja está cheia – mas está no que ela é: na simplicidade.

Aprendi que ser nobre não é ser rico e que, ser simples não é ser pobre. Ser nobre é ser simples, quem não alcança a simplicidade, não alcança a excelência. Ser simples é ter a coragem de pedir e dar o perdão; é nunca se costumar com o dia que se inicia com sol ou sem sol; é olhar nos olhos das pessoas e contemplar a vida que Deus as deu; é deixar de lado a postura que o mundo cobra e viver a graça de ser livre em Deus.

Muitos adultos, hoje, são frustrados, porque na infância não podiam nem jogar bola, ou subir em árvores, brincar de “queimada”, mal podiam sair de casa, porque os pais não deixavam; compravam brinquedos para os filhos não saírem para a rua… Mas ainda há tempo de alcançar a alegria que a simplicidade proporciona. Experimente!

Ser simples é construir a porta da casa voltada para o horizonte, ter direção e não utilizar a porta dos fundos. O João-de-barro constrói a sua casa sempre com a porta para o horizonte, para a direção que ele vai continuar a vida, faça o mesmo, dê dinâmica ao que Deus criou e veja que a simplicidade fá-lo nobre como a águia que alcança as alturas, mas, com os pés firmes no chão caminhando rumo a Céus novos e uma Terra nova.

Nunca se esqueça, Deus é bem simples!
Um grande abraço!

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