A falsidade da astrologia

Já ouvi alguém dizer que o ‘oitavo’ sacramento é a ‘santa ignorância’ religiosa. Realmente, muitos e muitos cristãos não conhecem a doutrina da fé que professam. Alguns, por igno-rância invencível; mas a maioria, infelizmente, por própria culpa. Por causa dessa ignorância religiosa, muitos católicos aban-donam a fé pura para ir beber em fontes poluídas, como diz o profeta Jeremias (cf Jr 2,13).

E triste e chocante o número imenso de católicos – até pessoas que se dizem piedosas – que acreditam na astrologia e se fazem escravos dos astros, professando uma verdadeira idolatria. Cristo morreu por cada um de nós para que vivêssemos na liberdade de filhos de Deus. E São Paulo disse aos gálatas e a todos nós: ‘É para que sejamos homens livres, que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escra-vidão‘ (GI 5,]). Em seguida, o apóstolo advertiu-os sobre o pe-rigo das obras da carne, entre elas a idolatria e as superstições, dizendo que ‘os que as praticarem não herdarão o reino de Deus!’ (Gl 5,21c).

A Igreja, com base na Bíblia e na tradição herdada dos profetas e dos apóstolos, sempre condenou, veementemente, todas as práticas idolátricas e supersticiosas, uma vez que elas demonstram falta de amor, de confiança e de submissão a Deus. Constitui pecado grave contra o primeiro mandamento da Lei de Deus, que diz: ‘O Senhor nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor; teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças’ (Dt 6,4-5). Advertiu-nos severamente o Senhor: ‘Não se ache no meio de ti (…) quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à evocação dos mortos, porque o Senhor; teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas’ (Dt 18,10-1 2a). Nenhum católico pode fechar os olhos e os ouvidos a essa palavra de Deus, sob pena de sucumbir na apostasia.

Santo Agostinho, já no século IV combatia veementemen-te as superstições e a astrologia. No seu livro A doutrina cristã escreve: ‘Todo homem livre vai consultar os tais astrólogos, paga-lhes para sair escravo de Marte, de Vênus, ou quiçá de outros astros…‘ Querer predizer os costumes, os atos e os eventos, baseando-se sobre esse tipo de observação, é grande erro e desvario. E conclui o santo doutor: ‘O cristão deve repu-diar e fugir completamente das artes dessa superstição malsã e nociva, baseada sobre maléfico acordo entre homens e demô-nios… Essas artes não são notoriamente instituídas para o amor de Deus e do próximo; fundamentam-se no desejo privado dos bens temporais e arruinam assim o coração. Em doutrinas des-se gênero, portanto, deve-se temer e evitar a sociedade com os demônios que, juntamente com seu príncipe, o diabo, não buscam outra coisa senão fechar e obstruir a estrada de nosso retorno (a Deus).’

Essas palavras fortes do Doutor da Graça são confirmadas pelas palavras de São Paulo, quando advertiu os coríntios de que ‘as coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. (…) Ou queremos provocara ira do Senhor?’ (1 Cor 10,20-21a.22a) É preciso ficar muito claro a todo cristão que, segundo a tradição dos apóstolos, a astrologia é superstição e idolatria. E todos aqueles que se lhe submetem, desprezam a graça de Deus e se expõem ao poder das trevas.

Por outro lado, a astrologia carece de toda base científica. Nunca encontrei um cientista sério e renomado que lhe desse crédito, nem mesmo quando cursei o doutorado em Ciências Aeroespaciais no ITA, em São José dos Campos. Se essa supers-tição tivesse qualquer base científica, a sorte e o destino, como dizem, de irmãos gêmeos, seriam as mesmas, jâ que nasceram no mesmo dia e horário e sob o mesmo signo. E sabemos que suas vidas são completamente diferentes. Esaú e Jacó eram gê-meos, mas a Escritura está aí para atestar como foram diversos os costumes deles, suas ações, penas e êxitos.

O advogado Danton de Souza fez o mapa astrológico do Brasil e escreveu o livro Predições astrológicas após cinqüenta anos de pesquisa. O livro foi publicado em 1983 e previa que no dia 3 de julho de l991 iria acontecer aqui algo tão terrível, que o astrólogo preferiu calar-se. Agora que passou, ninguém se lem-bra de nada grave nessa data! Puro engano!

A vida do cristão tem de ser vivida exclusivamente no amor de Deus, submissa à santa vontade dEle. Nada de querer buscar poder e previsões do futuro fora de Deus, para não cair nos laços do demônio. Precisamos cada dia aprender a dizer com a Virgem Ma-ria: ‘Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a lua palavra‘ (1£ 1 ,38a). Só seremos verdadeiramente felizes nesta vida e na eternidade, se aceitarmos a vontade do Senhor para nós.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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