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Por que o criacionismo desperta tanto medo em algumas pessoas?

Caro internauta, não pretendo, com este artigo, entrar em discussões teorizadas acerca do evolucionismo ou do criacionismo; também não pretendo fazer citações científicas, tampouco teológicas. Deixarei para trás Ernest Mayr; Teilhard de Chardin; Michael Behe; e, até mesmo, nosso estimado colega, Charles Darwin. Isolando, se é que é possível, o aspecto doutrinal das diversas matérias jornalísticas brotadas das rubro-redações nos últimos dias.

O fato é que: a disputa entre o criacionismo e o evolucionismo, num contexto de ensino, nos tem sido entregue embrulhada no invólucro de polêmica e de disputas vazias. Disputas que, por sinal, encontram-se unilateralmente nas mentes brilhantes de pessoas que até podem ser consideradas grandes cientistas ou pesquisadores, mas são incapazes de constatarem nelas próprias o elemento criacional da qual elas mesmas foram sujeitas.

Por que o criacionismo desperta tanto medo em algumas pessoas?

Imagem ilustrativa: Michelangelo – Creación de Adán

Ao assistir uma reportagem que tentava “criar”, ou melhor, fazer “evoluir” polêmicas entre a teoria criacionista e a evolucionista, depois de sentir aquilo que costumam chamar de “vergonha alheia”, lembrei-me de um episódio da vida de Sócrates narrado pelo dramaturgo grego, Aristófanes, em sua obra “As nuvens”. O dramaturgo apresenta, de maneira pitoresca, o magnânimo Sócrates suspenso no ar dentro de um balaio fazendo não sei o quê. Surge, então, o personagem Estrepsíades que, ao ver Sócrates naquela situação tão ridícula, o interpela: “[Sócrates] eu lhe peço, explique-me o que está fazendo aí”. Sócrates, então, responde: “[…] nunca teria encontrado, de modo exato, as coisas celestes, se não tivesse suspendido a inteligência […]. Se, estando no chão, observasse de baixo o que está em cima, jamais o encontraria. Pois, de fato, a terra, com violência, atrai para si a seiva do pensamento. Padece desse mesmo mal até o agrião”.

É possível, ainda, considerar o criacionismo?

Que resposta maravilhosa! Embora Estrepsíades quisesse ridicularizar Sócrates, o pai da maiêutica deu a ele (e dá a nós) um grande ensinamento a saber: não é possível entender verdadeiramente as coisas do alto, se o pensamento permanecer apenas e tão somente nas coisas terrestres. Em outras palavras, da mesma maneira que não é possível enxergar a verdade estando os olhos da alma enfaixados por uma venda; uma cobra não foi criada, ou melhor, não evoluiu suficientemente para alçar voos. Elas só alcançam os ares, de fato, quando uma águia, por exemplo, depois de espreitar sua vítima, usa de seu treinado bico para pinça-la e suspendê-la no ar.

Em suma, uma vez que as cobras não têm braços para voar, sequer pernas para pular, restam-na, apenas, rastejar; assim como rastejam muitos dos modernos pensamentos.

Sertillanges, em sua obra “A Vida Intelectual”, faz uma afirmação que aponta certeiramente para a resposta que estamos buscando e que fora provocada pelo título desse artigo: “intelectualmente, o orgulho é o pai das aberrações e das criações factícias; a humildade é o olho que lê no livro da vida e no livro do universo”. Quem está arrogantemente cheio de si e teme perder para Deus o posto de Criador, jamais conseguirá fazer uma leitura verdadeira do livro do universo. O ego está demasiadamente ocupado em tentar afastar as ameaças advindas daquilo que os ignorantes e retrógrados cristãos, deste mundo, chamam de fé. A fé, aliás, é o maior pesadelo das almas arrogantes; almas encarceradas pela autossuficiência. “– Afinal…”, poderia questionar o pensamento reptiliano: “como ainda é possível considerar o criacionismo em plena pós-modernidade?”.

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Cristãos, fé e razão

Caro internauta, se você é cristão, quero, pois, animá-lo a jamais terdes vergonha da sua convicção de fé. Nunca se esqueça de que nós, cristãos católicos, voamos sempre com duas asas, a da fé e a da razão. Nunca se esqueça de que existem mais aves voando no céu que cobras rastejando no chão. As cobras podem ser traiçoeiras e venenosas, mas não passam de doutoras cobras. Elas não conseguem enxergar sequer o que existe do outro lado do montículo. As aves, por outro lado, enxergam para além do horizonte.

Deus abençoe você e até a próxima!

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Gleidson Carvalho

Gleidson de Souza Carvalho é natural de Valença (RJ), mas viveu parte de sua vida em Piraúba (MG). Hoje, ele é missionário da Comunidade Canção Nova, candidato às ordens sacras, licenciado em Filosofia e bacharelando em Teologia, ambos pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP). Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, na Liturgia do Santuário do Pai das Misericórdias e nos Confessionários. Apresenta, com os demais seminaristas, o “Terço em Família” pela Rádio Canção Nova AM. (Instagram: @cngleidson)

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