fazer o bem

Entenda os princípios éticos do bem

Fazer sempre o bem e fazer bem o que se faz

Fazer sempre o bem e fazer bem o que se faz. São esses os princípios éticos que devem orientar a vida de todos, para que floresçam as potencialidades sociais, políticas e culturais da sociedade. A simplicidade desses princípios tem força para operar transformações e recompor a moralidade no tecido cultural. Pois, a cultura desprovida de
moralidade conduz a sociedade rumo aos fracassos. Acirra disputas predatórias, acentua o desrespeito às instituições.  Produz destruição pelas ações dos que se consideram “os donos da verdade”. Reconhecer o bem, como princípio ético, permite a cada indivíduo avaliar prioritariamente a própria interioridade, ao invés de, sempre, julgar o outro.

Entenda os princípios éticos do bem

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

Estar atento ao próprio interior é dinâmica educativa indispensável. Fazer bem e promover o bem são atitudes que dependem do cuidado com a dimensão interior, conquistando clareza de consciência. É preciso reconhecer o papel que se tem no mundo. Identificar, também, os parâmetros ideológicos que moldam a própria mentalidade, ou seja, aquilo que permite a cada pessoa fazer escolhas com mais lucidez.

E, todo cuidado é pouco, no sentido de evitar impor ao outro, ou mesmo às instituições, certas perspectivas que são apenas convicções pessoais, traços da própria identidade, muitas vezes, problemáticos. Quem age sem observar esses princípios, distancia-se da tarefa de exercer nobre missão, prejudicando contextos pessoais, comunitários e institucionais.

Campo de batalha

E, é, especialmente, nas redes sociais que, hoje, evidencia-se a necessidade de se cultivar o bem como princípio ético, capaz de orientar todas as atitudes. O ambiente digital abre novas e bem-vindas possibilidades de interação, mas, ao mesmo tempo, torna-se verdadeiro “campo de batalha”. As recorrentes agressões, cada vez mais presentes na internet, obscurecem o caminho da verdade, inviabilizando o bem.

Com frequência, indivíduos assumem falsa autoridade, apresentam-se como detentores da verdade, e sentem-se no direito de proferir vereditos. Porém, por serem incapazes de fazer distinções, promovem uma mistura que coloca, no mesmo quadrado, “ovelhas, bois e carneiros”, como se diz proverbialmente.

Há um agravante a ser considerado: para muitas pessoas, falta formação humanística, ética e espiritual. São necessários investimentos para corrigir essa carência, para que todos possam oferecer contribuições relevantes às instituições e ao mundo. Se essa necessidade não for reconhecida, continuarão desvirtuados sentidos intocáveis, no
âmbito político, cultural e, muito gravemente, no contexto religioso, que não pode se deixar corromper, justamente, por ser referência para a ética e a moralidade.

Por isso mesmo, não basta apenas o grande volume de informações que circula no planeta para construir um futuro melhor. É fundamental dedicar atenção ao desenvolvimento cognitivo de cada indivíduo, cultivando o princípio ético que inspira todos a fazerem o bem – e a fazer bem o que fazem.

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Reconhecer que é bom ser bom

O horizonte pluralista do contexto contemporâneo permite à humanidade reconhecer e apontar para tudo, mas, ao mesmo tempo, não se comprometer com nada. Uma situação que precisa ser superada, pois, o princípio ético alicerçado no bem, convoca cada pessoa a tornar-se força transformadora que modela nova cultura. Essa cultura renovada, urgente, está exatamente na contramão de escolhas bizarras que assombram a sociedade e deterioram boas práticas. Passo decisivo para a requerida mudança é promover sempre o bem, dedicando-se a cumprir adequadamente as próprias tarefas e responsabilidades.

Ajuda a moldar novas práticas e, consequentemente, constituir uma cultura renovada, deixar-se guiar por nobres princípios: promover sempre o bem e fazer bem o que se faz.  Não se deixar vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem. Reconhecer que é bom ser bom. Saber que o bem se promove com o bem. Esses princípios, se aprendidos,
permitem superar o circuito vicioso formado por perversidades, inveja, incompreensões, descompromisso com referências fundamentais.

Não se transforma a realidade buscando apenas os melhores índices da economia, nem só pela força da política, ou pela influência de confissões religiosas. Urgente é o despertar da consciência cidadã a partir do compromisso com a ética. É tempo de escrever, não em páginas de livros, mas no coração humano, a gramática da lei moral. Uma atitude prioritária para conquistar o desenvolvimento integral e configurar uma qualificada cidadania.


Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. Atual membro da Congregação para a Doutrina da Fé e da Congregação para as Igrejas Orientais. No Brasil, é bispo referencial para os fiéis católicos de Rito Oriental. http://www.arquidiocesebh.org.br

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