Educação Inclusiva

A arte de educar para todos

O desejo de ensinar e de aprender é inerente ao ser humano. Conforme nos diz o Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2022, o Deus da Revelação bíblica é um Deus educador. Não um educador autoritário, dono da verdade, mas aquele que escuta o clamor do povo, conhece as suas mazelas e dá ao homem e à mulher a possibilidade de construir um caminho educativo, inclusivo e construído a partir de sua realidade, de sua possibilidade, de sua espiritualidade, de seu afeto, enfim, a partir de sua cultura.

De fato, Deus criou o ser humano como ser único e irrepetível, com características singulares, percepções diferentes, dotado de liberdade, portanto, com capacidade para fazer suas escolhas. Desse modo, podemos dizer que existe uma pluralidade de anseios advindos do interior humano que o processo educativo precisa contemplar. Não pode haver uma educação seletiva, exclusivista. Tais adjetivos não combinam com os verbos educar, ensinar e aprender. Não tem a ver com a pedagogia de Jesus, o educador por excelência.

O Departamento de cultura e educação do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano), elaborou, a partir do Documento de Aparecida, um Plano de Educação Geral e Média, visando dar aos centros educacionais católicos, uma identidade de autênticos educadores cristãos. O documento visou firmar diretrizes e orientações para a educação católica no quatriênio 2011-2015. Recorremos a esse documento porque ele é atual e responde às inúmeras demandas apresentadas hoje para uma educação inclusiva.

A arte de educar para todos

Foto Ilustrativa: Halfpoint by GettyImages / cancaonova.com

Educar como Jesus educava

Neste contexto, urge afirmar e reafirmar que a educação legitimamente católica é aquela que se estabelece nos princípios e na metodologia de Jesus Cristo, o educador do Pai. Tal processo educativo, segundo o Celam “é parte fundamental da educação formar para a vida em todas as suas manifestações, especialmente a do ser humano, da sua concepção até sua morte natural”. A Igreja entende que quando se fala em educação para todos é para todos mesmo. É preciso uma nova epistemologia pautada na ética e no respeito pela pessoa que “aborde a ciência e os diversos saberes, desde a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade”.

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Educar para todos necessita paciência e humildade

Quando se muda a mentalidade e se busca uma verdadeira conversão educativa, incluir todas as todas as pessoas no processo pedagógico torna-se um imperativo categórico. Neste sentido, é urgente recorrer à pedagogia de Jesus que rasga o véu do preconceito e encurta a distância entre o mestre e o discípulo, entre o professor e o aluno. A proposta de Jesus é aquela em que o mestre aproxima existencialmente do seu aluno. Cria-se uma nova metodologia capaz de se adaptar aos processos pessoais marcando a figura do educador com a pedagogia da humildade e da paciência. É somente no cavalo da humildade e da paciência que o pedagogo se torna capaz de dar carona para a riqueza e para a experiência de seus educandos.

Mas para que isso aconteça, como sistema educativo, é necessário a atitude de escuta e a paixão pela instrução. Instruir, de alguma forma, significa educar para uma liberdade responsável que acompanha a definição do projeto existencial que faz emergir, nos diversos contextos e estratos sociais, a multiplicidade e diversidade de talentos e carismas pessoais que fundamentos para a fotografia de uma sociedade que prepara seus filhos para o respeito e a inclusão de todos no mundo da educação.


Padre Antonio Camilo de Paiva

Padre Antonio Camilo de Paiva, Mestre em Ciências da Comunicação, pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma; Vice-Reitor do Seminário Arquidiocesano Santo Antônio de Juiz de Fora; Coordenador e Professor do Curso de Teologia do UniAcademia e Seminário Santo Antônio e Vigário Episcopal para a Educação Comunicação e Cultura.

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