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O valor da verdade, o impacto da mentira

Os comportamentos humanos são imensamente diversificados e justificados por aspectos éticos, morais e de interesses variados. Desde a simples resposta “sim” para um “tudo bem?” – quando, na verdade, não está muito bem ou até mesmo quando não é conveniente dizer que algo não está bom, permanecendo em silêncio –, a verdade ou a mentira podem estar incluídas nessas falas.

Verdades e mentiras convivem conosco e em nossas relações. Pesquisas na área de comportamento humano revelam que, muitas vezes, sem perceber, vamos omitindo impressões e opiniões como ferramenta para equilibrar nossos relacionamentos. Nesse somatório, quantas oportunidades, relacionamentos e situações temos perdido pelo viés da mentira!

O valor da verdade, o impacto da mentira

Foto ilustrativa: malerapaso by Getty Images

Dia da mentira. De onde isso?

E por falar em mentira, você se lembra do tal 1º de abril, o dia da mentira? Sabe como essa data surgiu? Ela surgiu, na França, no começo do século 16, com o reinado de Carlos IX (1560-1574). Naquela época, o ano novo era comemorado no dia 25 de março, com a chegada da primavera na Europa, em festas com troca de presentes.

Com a instituição do calendário gregoriano, o ano iniciava-se em 1º de janeiro; ainda assim, o rei da França, na época, só o assumiu dois anos depois. Então, os franceses começaram a ser chamados de “bobos de abril”, e a receberem presentes estranhos e convites para festas inexistentes, visto não terem assumido a realidade proposta pelo novo calendário.

Agora que já sabemos de onde vem o tal dia da mentira, vale uma reflexão sobre como essa prática se estabelece em nossa vida.

Enquanto crianças e pela própria imaturidade, é comum que elas mintam quando existe a dificuldade em lidar com críticas e com a frustração. Mente-se para não levar bronca, para esconder um ato errado, por ter quebrado algo etc.

Quando a mentira assume-se como verdade

Quando isso se torna um hábito, sem que se note uma consequência negativa para o mentir, podemos ter aí um grande problema. É o momento em que a mentira torna-se uma prática comum e assume-se como verdade. Mente-se para tudo e para qualquer situação a fim de obter um benefício próprio.

Uma forma clássica de criar este mau hábito é dizer para a criança: “Se perguntarem de mim, diga que não estou”. Parece algo inocente, mas pode aos poucos ser assumido como uma característica à medida que este comportamento é repetido. Histórias fantásticas contadas pelas crianças e valorizadas pelos amigos podem incentivar esse comportamento. Esse recurso é usado pelos pequenos, mas pode ser continuado quando possuem baixa autoestima, não conseguem lidar com dificuldades e frustrações ou ainda tenham uma boa dose de medo.

Com o propósito de diminuir as repercussões de uma verdade, usamos a mentira como justificativa. Não ofender, não impactar, não ganhar inimizades, evitar conflitos: poderíamos descrever uma série de justificativas, mas gosto muito de uma frase que diz: “A verdade sem caridade é uma maldade”. Portanto, desejando o caminho da verdade, ela poderá ser expressa de diversas maneiras.

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Mitomania

Se a mentira torna-se frequente e consciente, mascara a realidade, está presente em várias situações da vida e vai assumindo uma forma de realidade na vida da pessoa. Temos aí um problema definido como mitomania.

Algo importante para essa reflexão é como nossos atos e nossas palavras estão seguindo: eles estão em conformidade com nossa vida interior, com o respeito e com a verdade para com o outro? Como diz o filósofo Comte-Sponville, será que há uma “relação de fidelidade naquilo que se crê”? Estamos sendo fiéis ao que cremos e agindo com a verdade que gostaríamos de receber?

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