Prazer

A realização sexual no matrimônio

A realização sexual vem quando a pessoa consegue ser livre para doar-se e amar de forma madura

Algumas coisas na vida podem se tornar grandes desafios, mesmo sendo dom de Deus. Acredito que um dos maiores dons de todo ser humano é viver a sua sexualidade de maneira equilibrada, isso porque ela está diretamente ligada a todos os laços relacionais que cada um tem, incluindo pessoas e coisas, o que faz com que diversos fatores possam influenciá-la. O prazer sexual é um dom de Deus.

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

É um presente dado por Ele para nos incentivar no esforço de viver a dois. Porém, o prazer é algo físico, uma reação química, e não tem nenhuma relação com a realização sexual ou com felicidade. Algo pode ser extremamente prazeroso, mas gerar tristeza e decepção pessoal por não ser compatível com aquilo que acreditamos sobre nós mesmos. A realização sexual vem quando a pessoa consegue ser livre para doar-se e para amar de forma madura, visando o bem do outro pelo simples fato de que se sente chamada a ser assim, independente da resposta do outro.

O prazer é uma linda consequência de um relacionamento maduro, mas quando ele é buscado como objetivo, acaba deturpando o sentido do sexo e o transformando num ato egoísta, feito para a saciedade e não por amor. Assim, ele se torna viciante, e cada vez mais é necessário um estímulo maior para obter a mesma sensação prazerosa.

A formação do nosso equilíbrio sexual começa já na barriga da mãe, quando acontece a aceitação ou rejeição do sexo do bebê, e onde a criança pode desenvolver a rejeição pela sua identidade sexual. Na primeira infância, nosso inconsciente é bombardeado com milhões de informações aprendidas no convívio diário com nossos pais e familiares, sobre o que é ser um homem, uma mulher e como eles interagem entre si. Essas são lembranças muito profundas (sendo boas ou ruins), que vão influenciar diretamente na nossa identidade sexual, e na forma como nos relacionamos com os outros.

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Quando o vínculo social se amplia e temos contato com outras pessoas, podem surgir os traumas de rejeição, a descoberta precoce do prazer, os abusos sexuais e as experiências por curiosidade. Todos os relacionamentos vividos, bons ou ruins, deixam marcas e registros do que é prazeroso ou não, do que faz com que as pessoas gostem de nós ou nos rejeitem. Assim vai sendo formada nossa identidade e nossas preferências sexuais. Em cada uma dessas etapas, marcas de carência podem ser deixadas, as quais vão nos deixar vulneráveis à entrega aos vícios, usando do prazer para tentar saciar nosso desejo de realização e aceitação. Por isso, o primeiro passo para tentar se libertar de um vício sexual é ter a coragem de reler a própria história em Deus, permitindo que Ele vá curando cada lembrança, cada carência, cada trauma, deixando que o amor do Pai lhe faça acreditar que você também pode reaprender a amar de verdade.


Roberta Castro

Roberta Castro é Ginecologista e especialista em terapia familiar. Coordenadora do Ministério de Música e Artes da Renovação Carismática Católica no Estado do Espírito Santo.

Escritora pela editora Canção Nova

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