As expectativas criadas ao longo da Copa do Mundo
A Copa do Mundo chegou ao fim e, com ela, também se encerraram muitas expectativas que haviam sido criadas ao longo da competição. Havia previsões sobre vencedores e derrotados, objetivos que seriam alcançados e frustrações que, inevitavelmente, surgiriam. Para nós brasileiros, esse evento possui um significado muito especial, pois faz parte do nosso imaginário e da nossa cultura voltar os olhos para a Seleção Brasileira a cada quatro anos, reunindo-nos para torcer pelo nosso país.

Créditos: Leonardo Moreno by Getty Images.
Naturalmente, permanece em muitos de nós um sentimento de frustração pelo resultado alcançado. Contudo, não é exatamente esse aspecto que desejo abordar, mas sim aquilo que a Copa do Mundo pode nos ensinar.
A “Copa dos Protagonistas”
Muitos analistas definiram esta como a “Copa dos Protagonistas”. Grandes nomes do futebol mundial foram apresentados como os principais responsáveis pelas vitórias de suas seleções. Da mesma forma, quando não correspondiam às expectativas ou deixavam de desempenhar bem a missão que lhes cabia, eram apontados como responsáveis pelos fracassos de suas equipes.
Essa realidade nos leva a uma importante reflexão. Quando aqueles que receberam uma grande responsabilidade assumem o seu papel com coragem, dedicação e compromisso, tornam-se protagonistas daquilo que lhes foi confiado. Com o apoio dos demais — ou, em alguns momentos, sustentados por um esforço pessoal extraordinário — conseguem conduzir muitos ao êxito, à alegria e à vitória.
O chamado a assumir as próprias responsabilidades
Por outro lado, quando essas mesmas pessoas se omitem, deixam-se vencer pelo desânimo ou procuram justificativas para não cumprir aquilo que lhes compete, muitos acabam sofrendo as consequências dessa ausência de protagonismo.
Essa é uma reflexão que também se dirige a nossa vida. Cada um de nós, na medida da missão que recebeu de Deus, é chamado a assumir as próprias responsabilidades: “Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor” (Mt 25,21). Não devemos transferir aos outros aquilo que nos compete realizar, mas acolher com generosidade aquilo que nos foi confiado, fazendo o melhor possível para que nossa vida produza bons frutos e alcance o êxito para o qual fomos chamados.
As virtudes manifestadas ao longo da competição
Outro aspecto que merece destaque são as virtudes manifestadas ao longo da competição. Aqueles que alcançaram seus objetivos — ainda que apenas uma seleção tenha conquistado o título — e também aqueles que chegaram perto da vitória ou realizaram uma campanha memorável revelaram virtudes dignas de admiração.
Entre elas está a abnegação: a capacidade de se entregar em favor dos outros, colocando o bem da equipe, da nação e do povo acima dos próprios interesses. Vimos seleções que, mesmo sem levantar a taça, desempenharam um papel extraordinário, enchendo seus países de orgulho. Ao retornarem para casa, foram recebidas com aplausos, carinho e reconhecimento, porque demonstraram entrega, dedicação e amor pela missão que lhes foi confiada.
Os pequenos gigantes
Também foi admirável contemplar atletas que, nos momentos decisivos, revelaram verdadeiro brio por sua nação, amor à sua pátria e profundo compromisso com aquilo que representavam. Ao entrarem em campo, não jogavam apenas por si mesmos, mas carregavam consigo a esperança de milhões de pessoas. Essa atitude conquistou não apenas o respeito de seus compatriotas, mas também a admiração de pessoas do mundo inteiro.
Houve ainda os chamados heróis inesperados: equipes que, sem o favoritismo das grandes potências do futebol, enfrentaram adversários muito superiores e surpreenderam pela coragem, pela organização e pela perseverança. À semelhança de tantos episódios presentes na Sagrada Escritura, nos quais Deus realiza grandes obras por meio dos pequenos, essas seleções mostraram que a grandeza nem sempre depende da força aparente, mas da disposição de lutar com fidelidade e coragem: “Mas o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios; e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte” (I Co 1,27). Um exemplo marcante foi a pequena seleção de Cabo Verde, que conquistou o carinho e a admiração de muitos torcedores ao redor do mundo por sua entrega e determinação.
Leia também:
.:Copa do Mundo: o que podemos aprender com ela?
Chamados a oferecer a vida em favor de uma missão maior
Por fim, permanece para nós uma importante lição: o desejo da magnanimidade: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens” (Cl 3,23). Somos chamados a aspirar às coisas grandes, a lutar por algo que seja maior do que nós mesmos, superando o egoísmo, a vaidade e a busca pelo reconhecimento pessoal. Assim como vimos atletas entregarem suas forças por um povo, por uma nação e por seus companheiros de equipe, também nós somos convidados a oferecer a nossa vida em favor de uma missão maior.
Que aquilo que admiramos no esporte, e particularmente nesta Copa do Mundo, não permaneça apenas como uma lembrança de bons jogos ou grandes emoções, mas se transforme em inspiração para a nossa própria vida. Que aprendamos a viver com protagonismo, responsabilidade, espírito de serviço, virtude e magnanimidade, colocando nossos dons a serviço do bem comum e da missão que Deus confiou a cada um de nós.
Vinicius Fonseca Neves da Silva é natural de Planaltina (DF). Profissional de Educação Física; Membro dá Comunidade Canção Nova no modo de compromisso do Núcleo.




