Você sabe o que está comprando?
O chocolate faz parte da vida de muitas pessoas, está presente nas comemorações, momentos de partilha em família e até naqueles dias em que buscamos um pequeno conforto. Mas, diante da grande variedade de produtos disponíveis hoje, uma pergunta se torna cada vez mais importante: estamos realmente comprando chocolate?

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Se observarmos com atenção, encontraremos produtos muito parecidos entre si na aparência, mas diferentes na composição. Alguns são chocolates; outros recebem denominações como “sabor chocolate” ou “cobertura sabor chocolate”. Essa diferenciação existe justamente para oferecer mais clareza ao consumidor e ajudá-lo a fazer escolhas mais conscientes: “Examinai tudo. Retende o que é bom.” (1 Ts 5:21)
A lei da pureza: o que realmente define o seu chocolate
No Brasil, a norma que garante essa “justiça” na composição é a Resolução RDC nº 264/2005 da ANVISA, que estabelece o Regulamento Técnico para Chocolate e Produtos de Cacau.
Para que um produto seja chamado de chocolate, há uma regulamentação onde ele precisa atender aos seguintes critérios: deve conter pelo menos 35% de sólidos de cacau, sendo, no mínimo, 18% de manteiga de cacau. O chocolate ao leite deve apresentar pelo menos 25% de sólidos de cacau e 14% de sólidos de leite. Já o chocolate branco deve conter, no mínimo, 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos de leite.
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Produtos destinados a coberturas e achocolatados seguem critérios diferentes e podem apresentar menor quantidade de derivados de cacau, têm como principais ingredientes o açúcar, gorduras vegetais e aromatizantes. Isso não significa que sejam alimentos proibidos, mas são produtos diferentes e que não oferecem as mesmas características do chocolate propriamente dito.
Essa diferença interfere diretamente na qualidade do alimento, o cacau é o ingrediente que confere ao chocolate seu sabor característico e também concentra compostos bioativos, como os flavonóides, estudados por seu potencial antioxidante e pelos possíveis benefícios para a saúde cardiovascular quando consumidos dentro de uma alimentação equilibrada.
Além da embalagem: o segredo revelado na lista de ingredientes
Como nutricionista, acredito que um dos maiores desafios atualmente não é apenas ensinar o que comer, mas ensinar a escolher: “O simples dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta para os seus passos.” (Pr 14:15)
Vivemos em um tempo em que a embalagem chama muita atenção, enquanto a lista de ingredientes passa despercebida. No entanto, é justamente ela que revela a identidade do alimento, por isso, vale desenvolver o hábito de observar os ingredientes. Quanto mais próximo do início da lista estiver o nome cacau — seja como massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau —, maior tende a ser sua concentração no produto.
O domínio próprio: a doce virtude do equilíbrio
Também é importante lembrar que um chocolate com maior teor de cacau não deve ser encarado como um alimento “sem limites”; é uma opção nutricionalmente melhor, mas continua sendo um alimento calórico, que merece ser apreciado com equilíbrio, dentro de um estilo de vida saudável: Achaste mel? Come somente o que te basta; para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar.” (Pr 25:16)
No fim das contas, a maior contribuição dessa regulamentação talvez nem seja definir porcentagens, mas ajudar o consumidor a compreender melhor aquilo que está consumindo. Afinal, cuidar da saúde passa por fazer escolhas diárias e conscientes.
Ana Leonor Ferreira de Morais
Nutricionista, Casada, Católica, estudante e entusiasta da medicina de Santa Hildegarda, atua há mais 10 anos na área de emagrecimento feminino. Natural de João Pessoa, Paraíba.






