A importância entender o papel de Deus na nossa vida
Em meio a uma rotina apressada, repleta de compromissos e intensamente online, viver em sintonia com Deus é algo desafiador, porém, possível. Para compreendermos, de forma prática, como fazer isso, é preciso, antes de tudo, entender que papel Deus ocupa em nossa vida. Se Ele é o Senhor da nossa história, se dependemos Dele em tudo, isso significa que a harmonia com Deus deve ser uma prioridade. Mas, se nosso coração está preocupado, primeiramente, com outras coisas, o Senhor ficará em último plano e, desse modo, a intimidade com Ele se tornará meta difícil de ser alcançada.

Créditos: Arquivo CN.
Contudo, Jesus ensinou aos seus discípulos o seguinte: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). A unidade com o Senhor preenche nossa sede de eternidade e nos amadurece em todos os âmbitos da vida. A partir desse princípio dado pelo próprio Cristo, podemos pensar em cinco atitudes que julgamos essenciais para nos aproximarmos de Deus no dia a dia.
Cinco atitudes essenciais para a aproximação divina
Pensar no Senhor durante todo o dia.
“Do nascer ao pôr do sol seja louvado o nome do Senhor” (Sl 112,3). Isso significa viver em estado de oração, ou seja, iniciar o dia rezando, trabalhar, decidir e se relacionar com as pessoas pensando em Deus, além, claro, de tirar um horário do seu dia exclusivamente para orar. Santa Teresa d’Ávila, doutora da Igreja, ensina que, sem a oração, não se vai adiante. Orar é estabelecer nosso momento de encontro com Deus, conhecê-Lo, saber seus planos a nosso respeito e, ao mesmo tempo, conhecermo-nos, compreender nossos limites e fraquezas. A oração ordena o nosso interior e nos faz entender a grandeza do amor do Senhor por nós. Sendo assim, escolha um horário do dia para estar a sós com Deus. Ponha-o em sua agenda e cumpra-o como o compromisso mais importante do seu dia. É preciso que nossa alma esteja repleta da presença do Senhor.
Reduzir o excesso de informação.
Evite o uso constante do celular. Você não precisa saber de todas as informações o tempo todo, nem ficar constantemente analisando cada notificação que recebe. Aliás, deixe em seu celular apenas as notificações extremamente necessárias. Estabeleça horários para verificar suas redes sociais. Quem quer estar próximo de Deus precisa ser amigo do silêncio. A voz do Senhor só pode ser ouvida quando as outras se calam. Nesse sentido, mantenha a quietude interior, ainda que não esteja em um momento exclusivo de oração. Ouça seus pensamentos e sentimentos e ponha-os em ordem.
Ter uma vida de ascese equilibrada.
Os excessos de consumo e prazeres também acabam substituindo Deus em nossa vida, a ponto de nos apegarmos a eles como ídolos. Portanto, uma ascese equilibrada — vivendo a máxima de “estar no mundo e não ser do mundo” (cf. Jo 17,14-16) — nos ajuda a colocar as coisas em seus devidos lugares, exercitando a virtude do autodomínio e aceitando também as privações. Santa Teresa d’Ávila, Santa Teresinha e muitos outros santos nos ensinam a importância de aceitar as privações do dia a dia para deixar cair nosso orgulho e crescermos mais na humildade. Para isso, procure os sacramentos, como a confissão e a Eucaristia, a fim de obter perdão e força para viver em sintonia com o que Ele tem para você. O pecado é errar o alvo, e isso nos tira da presença de Deus e da sua graça. A busca pela santidade, ao contrário, nos torna mais parecidos com o Senhor e, assim, mais íntimos Dele.
Viver uma caridade concreta.
“Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito” (1Jo 4,12). O amor aos irmãos mantém a presença de Deus em nossa vida, porque, quando estamos reunidos em seu nome, Ele está (cf. Mt 18,20). Uma vida espiritual verdadeira se expressa na caridade para com os outros, seja por meio do serviço, da generosidade material ou da atenção às pessoas. Certamente, todos os dias há alguém diante de nós a quem poderemos amar de maneira concreta.
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Unidade entre a fé e a vida.
Precisamos viver o que cremos em todas as realidades em que estamos inseridos: trabalho, estudos, associações ou tantas outras. Não podemos ter uma fé que termina quando saímos da Igreja. Dessa forma, além de não alcançarmos maturidade verdadeira, tornamo-nos um contratestemunho, que pode ser motivo de queda para os outros. O simples fato de buscarmos uma coerência de vida e procurarmos viver a nossa fé em tudo o que fazemos já nos coloca unidos a Ele. O Senhor vê que estamos lutando, ainda que não estejamos totalmente prontos. E, se cairmos, Ele nos ajuda a levantar, já que a vida cristã é um crescimento contínuo. Aqui, cabe-nos recomeçar sempre após as quedas, não desanimar com as dificuldades espirituais e ter disciplina simples e constante.
Essas cinco atitudes precisam ser vividas, obviamente, com a virtude da humildade, sem a qual não herdaremos o Reino dos Céus (cf. Mt 5,3). Sem humildade, todo o resto se corrompe, porque somente com essa virtude poderemos aceitar correções, reconhecer limites e abrir espaço para Deus agir.
Elane Gomes
Mestra em Comunicação e Cultura Midiática




