Os pais têm a obrigação de educar seus filhos
“Os pais que transmitiram a vida aos filhos têm uma gravíssima obrigação de educar a prole, por isso devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores” (Gravissimum Educationis – Momentum).

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Essa declaração do Concílio Vaticano II é clara e urgente: os pais precisam compreender e assumir essa missão confiada a eles por Deus. São o pai e a mãe — não os tios, não os avós, não a escola — aqueles que farão de um bebê uma criança, de uma criança um adolescente, de um adolescente um jovem, e de um jovem um adulto honesto e bom cidadão. É em casa, no seio familiar, que esse processo acontece, desde o acolhimento amoroso do novo ser que surge até o início de uma vida de total independência dos pais com o encontro de uma vocação, o caminho traçado por Deus para esse ser.
A família como escola de virtudes
“A família é a primeira escola de virtudes”, afirma David Isaacs, e comprova isso com os seguintes argumentos:
A eficácia da família: aquilo que vivemos dentro da família é impregnado na vida dos filhos, seja bom ou ruim. Vícios e virtudes na vida das crianças são iniciados aí, porque as crianças aprendem por imitação. Verdade ou não é que você ouve e vê em seus filhos expressões que são só suas? Tenha plena certeza de que o modo como vivem os pais e como se tratam será encontrado facilmente na vida dos filhos.
Aceitação incondicional por aquilo que é: em um mundo cheio de rótulos e aparências, onde queremos a todo momento demonstrar que somos bons, inteligentes ou os melhores, a família é onde deixamos as máscaras caírem de verdade e somos o que somos, sem duplicidade, sem medo de rejeição. Os pais precisam trazer para casa esse clima, construir esse ambiente de intimidade e liberdade. É em casa que aprendemos que não precisamos mudar nosso jeito ou maquiar o que pensamos para agradar os outros; no lar, podemos ser livres. Isso é de extrema importância para a construção de todas as realidades materiais e espirituais que envolvem a vida de qualquer ser em desenvolvimento.
Segurança, permanência e o desenvolvimento do ser
Um ambiente estável e equilibrado produz filhos seguros, que acreditam na permanência daqueles que amam e por quem são amados. A certeza de que somos amados pelo que somos, como falamos acima, e a estabilidade de um lar onde as crianças percebem e sentem que as pessoas e as coisas sempre estarão ali, solidificam a sua personalidade e produzem uma vida emocional resiliente, que consegue se manter firme em meio aos problemas e as dificuldades que ocorrem durante a vida.
Com bases assim, é possível enxergar e perceber em cada um aquilo que é mais natural: suas capacidades, potencialidades e a forma de melhor promover o crescimento e o desenvolvimento dos dons que recebemos de Deus, mas que ainda não estão em ato, produzindo assim uma vida cheia de bons hábitos e virtudes necessárias para uma vivência plena e cheia de realizações.
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O exemplo e o plantio educacional
Termino com um texto citado por Fulton Sheen: “Um jovem condenado a ser eletrocutado foi visitado por seus pais em sua cela e ele lhes disse: ‘Se não fosse por vocês, eu jamais estaria aqui’. O pai, falando por ele e pela mãe, disse: ‘Jamais lhe mandamos fazer nenhum mal’. ‘Não’, ele replicou, ‘mas vocês jamais me mandaram fazer nenhuma coisa boa’. Não me surpreende que Platão tenha visto uma criança fazer uma maldade e tenha repreendido o pai por isso.”
Sei que existe o livre-arbítrio e que não temos como definir o que nossos filhos farão hoje, muito menos no futuro, no entanto, o adágio funciona: “colhemos o que plantamos”. Plante bem na vida dos seus filhos e de sua família e colherá os melhores frutos.
Deus abençoe!
Meiriane Silva Faria
Missionária da Comunidade Canção Nova




