A necessidade de reconhecer o chamado de Deus
O “chamado” é uma realidade profunda para aquele que deseja fazer a vontade de Deus. A própria palavra revela muito do seu significado: “chamado” vem do verbo chamar, originado do latim clamare, que significa clamar, gritar, proclamar em voz alta. É uma voz que insiste, que ecoa e pede resposta.
Esse chamado, porém, nem sempre é logo compreendido. Muitas vezes, ele se manifesta de forma sutil, exigindo atenção e discernimento. Um exemplo disso é a história de Samuel, narrada na Bíblia. O jovem Samuel ouve uma voz que o chama durante a noite, mas não reconhece que era Deus quem falava.

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Somente na quarta vez, após a orientação de Heli, ele aprende a responder: “Veio o Senhor pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: Samuel! Samuel! “Falai”, respondeu o menino; “vosso servo escuta!” (I Sm 3,10). Essa passagem revela que o chamado divino não depende apenas de ser ouvido, mas de ser reconhecido, acolhido e respondido.
“Deus fala sempre, muitas vezes e de diversos modos” (Hb 1,1). É importante sabermos interpretar tudo aquilo que se passa no nosso coração e ao nosso redor. Assim como Samuel precisou aprender a escutar, também eu, em meu chamado para entregar a minha vida na Comunidade Canção Nova, fui sendo conduzida a reconhecer a voz de Deus.
O caminho do discernimento na Canção Nova
Esse chamado não se deu de forma repentina ou totalmente clara desde o início, mas foi sendo revelado nos encontros com o Padre Jonas, nas experiências que o Vinicius e eu vivíamos com a comunidade, nas inquietações do coração e na busca sincera de fazer a vontade de Deus. Aos poucos, compreendi que Deus me chamava a uma entrega total.
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Do clamor ao compromisso: ou santos ou nada
Entretanto, Deus falou, gritou comigo no Velório da Isabel Cortez em 22 de junho de 1991, quando o Padre Jonas exortou a comunidade: “Ou Santos ou Nada”. E, no dia 8 de dezembro de 1992, o Vinicius e eu chegamos para morar na Canção Nova.
Como Samuel, somos convidados a reconhecer esse chamado e a dar uma resposta. Foi nessa escuta e na entrega confiante, que até hoje canto a mesma música que o Padre Jonas cantou no meu último encontro vocacional em 1992:
“Tudo te entreguei, nada me restou. Livre eu fiquei para te amar, meu Deus. Tudo me pediste, nada eu te neguei. Hoje eu sou feliz assim, tenho a ti, meu Deus.”
Marina Adamo
É missionária, membro da Comunidade Canção Nova no modo de compromisso do Segundo Elo, escritora, terapeuta de mulheres com especialização em Logoterapia.




