Quem foi Santa Gemma Galgani?
Nascida em 12 de março de 1878, Santa Gemma Galgani recebeu o santo batismo no dia seguinte, cercada por vários familiares que nunca imaginariam a vida de sofrimento daquela menina, que se tornaria uma destacada santa na Família Passionista, fundada por São Paulo da Cruz.

Desde que era bem criança, já se anunciava a vida de sofrimentos e sacrifícios a que era chamada. Veremos como Gemma respondia a cada uma dessas exigências. Muitos de nós podemos ter a tendência de evitar ou fugir dos sofrimentos. Já as reações de Santa Gemma nos demonstram o contrário, o que nos faz intuir o valor que se encontra no sofrimento. De fato, há uma fonte profunda de graças para nós e para os nossos quando, por amor a Nosso Senhor, abraçamos esses sofrimentos.
A perda da mãe e as primeiras experiências místicas
“Gemma, dá-me a tua mãe?” A resposta da santa a essa pergunta de Jesus, já na infância, retrata bem essa verdade. Gemma, ainda pequena, acompanhou o sofrimento de sua mãe, Aurélia, vítima de tuberculose – doença que ceifava muitas vidas no século XIX.
A menção a Dona Aurélia esteve presente no início das experiências místicas de Gemma, o que ocorreu em seguida à sua crisma, quando sentiu uma voz interior lhe indagar:
“Gemma, dá-me tua mãe?”
A resposta da jovem, então com sete anos de idade, foi a seguinte:
“Sim, se me levares com ela.”
Mas a condição não teve concordância:
“Por enquanto, terás de ficar com o teu papai. Tua mãe, vou levá-la para o Céu. Dá-me de boa vontade?”
E Gemma, sem alternativa, aceitou, mas Dona Aurélia só partiu para a Casa do Pai dezesseis meses depois, após um longo definhamento físico paralelo a um notável engrandecimento espiritual que a preparou para passar à eternidade.
Talvez você veja a vida dos santos permeada de sofrimento e fique sem compreender por que isso acontece. É que os santos entendem que a verdadeira vida é a eterna, e o olhar deles está no tesouro verdadeiro, e não naquilo que passa.
A Primeira Eucaristia e a compaixão pelas dores de Jesus
Com a idade de nove anos, Gemma recebeu a Primeira Eucaristia, mas, nos dias que antecederam a recepção desse Sacramento, ao receber a catequese ministrada por uma religiosa, sentiu uma profunda pena e compaixão ao ouvir falar da flagelação de Jesus e de sua coroação de espinhos. Isso lhe causou uma febre e a deixou acamada no dia seguinte.
Se você está passando por algum momento de dificuldade, um bom conselho é meditar as passagens da vida de Nosso Senhor, sobretudo a Sua Paixão e a contemplação do Crucificado. Você encontrará consolo e sentido para seu próprio sofrimento.
Gemma foi crescendo em virtude. Aos dezoito anos, emitiu privadamente o voto de castidade. Nessa idade, começou a olhar detalhadamente para o seu futuro, querendo entregar-se totalmente a Jesus. “O nosso corpo é templo do Espírito Santo”, ouviu Gemma do pregador em seu primeiro retiro espiritual. Ela registrou em sua autobiografia: “Aquelas palavras impressionaram-me tanto que procurei com todas as forças conservar puro o meu corpo”. Nessa intenção, Gemma rezava diariamente três Ave-Marias. Já vi o testemunho de vários irmãos de comunidade que ensinaram seus filhos a também rezarem ao se deitarem três Ave-Marias para lhes preservar o corpo e a alma na virtude da castidade. É uma boa devoção, da qual se colhem muitos frutos, pois um jovem virtuoso se fortalece em todos os sentidos.
Aos vinte e um anos, recordou Gemma em sua autobiografia, praticava a caridade ao distribuir dinheiro e víveres aos pobres, e até mesmo roupas, porém seu confessor a proibiu de assim proceder, pois ela não tinha recursos próprios. A prática da caridade é um outro caminho poderoso para abrir os corações a Deus e crescer em virtude; diria até que é um caminho excelente!
Mas ela também passou por muitos sofrimentos morais: insultos, difamações, comentários sobre seu rendimento escolar, sobre sua debilidade física, e tantas coisas mais. Aceitava-os sempre com espírito de sacrifício, pedindo a Deus a conversão e a salvação para as outras pessoas.
Ah, se aprendêssemos a lidar melhor com as contrariedades que nos afligem, tendo como foco a noção de que você pode acolher cada uma dessas situações como instrumento de santificação para si e para os outros! Aprenda a acolher, oferecer e rezar cada realidade da sua vida.
Um episódio da vida de Santa Gemma que muito nos inspira é retratado numa carta que ela escreveu a uma irmã reconhecendo um erro. Isso demonstra que os santos também pecam, mas eles têm uma postura aguerrida de luta contra suas limitações, além de humildade e transparência. Veja o trecho da referida carta:
“Escrevo-te para saberes que recebi tua carta. Conste, contudo, que não mereces resposta, porque senti que a escreveste sob pressão, sem saberes o que dizias.
“Escuta-me de uma vez para sempre.
“Que te dei maus exemplos, que te ensinei coisas más, que te escandalizei? Tudo isso eu sei perfeitamente! Já o confessei e espero que me tenhas perdoado.
“Agora, apenas procuras desafogar a tua raiva recordando o tempo em que vivíamos juntas.
“Fica sabendo, também, que se Deus quisesse que me confessasse em público, eu não teria medo de fazê-lo, com voz clara e forte, sem necessidade de nada esconder.
“Espero que desta vez me tenhas entendido bem.
“Desejo-te um Natal feliz e boas-festas.
“Espero que entendas que pecar acontece com os santos, mas obstinar-se no pecado é obra de demônios…
“Adeus, e procura ser boa. Sou a tua irmã Gemma.”
Os estigmas da Paixão e a morte aos 25 Anos
Gemma teve a graça de receber os estigmas da Paixão do Senhor, que lhe surgiram em junho de 1899. Frequentemente as feridas se abriam, com extravasamento de sangue, e para disfarçar o que lhe ocorria – e atenuar a má impressão que poderia causar em algumas pessoas –, Gemma vestia luvas mesmo em ocasiões em que o uso de tal adereço não era habitual.
Em 1901, aos vinte e três anos, Gemma recebeu a ordem de redigir a autobiografia, que ela chamava de “o caderno dos meus pecados”.
Graças a essa edificante obra, pôde-se saber detalhes da vida de sofrimento dessa mística italiana, que viveu no mundo a espiritualidade passionista. Aos vinte e cinco anos, no Sábado Santo de 1903, depois de uma vida de muitas humilhações, Gemma entregou sua alma ao Criador, devorada pelos sofrimentos, mas pedindo – até o último momento – mais dor.
Santa Gemma Galgani, rogai por nós!
Edvania Duarte Eleuterio – Missionária Comunidade Canção Nova




