Vamos tomar um café?
Com certeza você já ouviu esta pergunta! Seja feita para nós ou simplesmente ouvida por acaso em um ambiente, ela sempre irá remeter a algo bom, a momentos agradáveis, e isso porque o café já faz parte da nossa cultura, do nosso dia a dia. Bom, é fato que o café é uma das bebidas mais consumidas no mundo e não poderia ser diferente aqui no Brasil, ficando em segundo lugar no ranking do consumo em quantidade, ficando atrás somente dos Estados Unidos da América, mesmo com a alta dos preços nos últimos anos. Além disso, o Brasil é o maior produtor de café do mundo. Mas em consumo per capita quem lidera é a Finlândia, resultado principalmente dado pelas baixas temperaturas desse país. A humanidade e sua história vêm sendo contadas pelas bebidas: cerveja, vinhos, destilados, chás e até a Coca-Cola; cada uma a seu tempo, marcam processos culturais e representam dinâmicas sociais, econômicas e políticas, e toda essa dinâmica não foi diferente com o café, que se propagou do Oriente para o Ocidente, instituindo relações que geraram tradições e se perpetuam na história fortemente até hoje.

Crédito: agrobacter / GettyImages
Mas, afinal, o que é o café?
Café é o nome dado à bebida preparada pelo método de infusão das sementes do fruto do cafeeiro, devidamente processadas, torradas e moídas, gerando sabor e aromas agradáveis e únicos, conforme a sua origem e os tratamentos recebidos; é por isso que o seu consumo viralizou em todo o mundo em diferentes formas de preparo e consumo, conforme aquilo que agrada ao paladar dos que o consomem, ou seja, a sua receita de preparo não é única, e sim adaptável às culturas e aos paladares. O café tem consumo e aceitação nas mais variadas classes sociais, culturais e econômicas, ou seja, ele é uma bebida acessível e que agrega onde quer que esteja.
E, do ponto de vista nutricional, o café é “mocinho” ou “vilão”? Vamos entender?
O café tem um potencial estimulante devido à presença principalmente da cafeína, visto que hoje temos até a sua versão descafeinada para atender a uma demanda que não tolera o excesso de estímulos físicos, mentais e comportamentais, mas que mesmo assim não quer deixar de lado o prazer de saborear um cafezinho. Ele possui mais de 1.000 substâncias, com características e efeitos distintos, como aminoácidos, vitaminas e minerais, entre outras, e estas contribuem diretamente para o seu aroma e sabor, que são diferenciados pelos vários tipos de grãos, torragem e forma de preparo. Um dos principais ingredientes buscados no café, de fato, é a cafeína, um estimulante do sistema nervoso central que, pela frequência do uso, acaba viciando o seu cérebro a buscar este estímulo. A cafeína, por sua vez, tem absorção rápida no sistema digestivo, e sua meia-vida no organismo varia de 2,5 a 10 horas, ou seja, você pode ficar mais acelerado por horas, devido ao uso da cafeína, que também pode ser encontrada no chá e no cacau, além de, frequentemente, a cafeína ser adicionada em bebidas de consumo comum, como refrigerantes e bebidas classificadas como energéticas, destinadas principalmente a atletas.
Mas quanto eu posso tomar de café por dia?
Não existe uma resposta única para todos; depende de algumas condições, como estado nutricional, idade, tipo de atividade que pratica, tolerância à cafeína, entre outros aspectos, mas o que se sabe é que uma quantidade segura de cafeína, em geral, é de até 400 mg da substância, o que equivale a 3 a 4 xícaras de café coado ao dia. Esta quantidade normalmente não causará efeitos colaterais negativos, como insônia, palpitações e até irritabilidade. O ideal é encontrar uma quantidade segura de consumo, para que este seja prazeroso e não danoso à saúde.
Benefícios do café:
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- Estimulante do sistema nervoso central;
- Antioxidante (combate aos radicais livres que envelhecem e causam doenças);
- O consumo diário de café auxilia na prevenção de cirrose e câncer hepático causados por excesso de bebidas alcoólicas. Já foram encontradas evidências desta relação hepatoprotetora do café com relação ao fígado (mas não cessaram as pesquisas sobre o tema).
Cuidados e atenção ao uso diário excessivo de café:
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- Pode aumentar os níveis de colesterol e triglicérides no sangue e os riscos maiores de desenvolver doenças cardiovasculares. Estudos apontam antioxidantes que protegem contra os riscos de doenças cardíacas, mas ainda não se chegou a um consenso sobre os reais efeitos benéficos ou malefícios, podendo o seu consumo agir de ambas as formas, ou seja, isso pode estar relacionado a outros fatores que vão além do consumo do café;
- Diminuição da incidência da doença de Parkinson (estudos já apontaram resultados, mas as pesquisas científicas continuam);
- Pessoas com hipertensão arterial grave, arritmia ou até mesmo sensibilidade à cafeína devem evitar o uso exagerado de café;
- Câncer gástrico ou de esôfago: isso já foi, no passado, um apontamento. Mas hoje, o que se sabe é que isso pode estar mais relacionado com o excesso de bebidas muito quentes do que propriamente ao café, mas a recomendação é que o seu consumo seja evitado com o estômago vazio, estando, assim, a mucosa gástrica protegida, e também não o consumir muito quente.
Recomendações
O que podemos concluir desta reflexão sobre o café é que muito já se sabe, mas ainda muito temos a desvendar sobre esta bebida tão consumida e apreciada nas mais diversas classes sociais e grupos culturais pelo mundo. Portanto, consuma sempre com moderação e, principalmente, sem o excesso de adição de açúcar à bebida. Com todas estas informações: “você ainda aceita tomar um café”?
Rosineia Bigueti
É natural de Umuarama/PR. Nutricionista e Pedagoga com Especialização em Fitoterapia e Nutrição Clínica. Missionária da Comunidade Canção Nova desde 2008, no modo de compromisso do Segundo Elo – São Paulo/SP
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