A Igreja nos ensina a meditar as “Sete Dores da Virgem Maria”: os momentos cruciais e martirizantes que ela viveu ao lado de Jesus. Ele sofreu a Paixão; ela sofreu a compaixão. Por tudo o que ela padeceu por amor ao seu Filho amado e por nós, a Igreja a tem como a Consoladora dos Aflitos.
A Virgem Maria é a “Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve”. É a ela que recorremos, “suspirando e gemendo neste vale de lágrimas” em que o pecado transformou este mundo. Ela volta a nós, pecadores, os seus olhos misericordiosos e tem compaixão de nós. Assim como acompanhou Jesus no caminho do Calvário, ela nos acompanha também em nossas lutas, tentações, aflições e sofrimentos de toda ordem.
São João Paulo II disse que “ela foi aquela que mais cooperou com a obra da Redenção realizada por Jesus”. Ninguém esteve tão perto d’Ele; ninguém sofreu tanto quanto ela. Contemplar as suas dores e mirar as suas lágrimas é colher lições e graças preciosas, assim como contemplar a Via-Sacra de Jesus.
A devoção às Sete Dores de Nossa Senhora nos ajuda a compreender a profundidade do amor e da entrega da Mãe de Jesus por cada um de nós. Cada dor que ela viveu — desde a profecia de Simeão até o sepultamento de seu Filho — revela uma dimensão do sofrimento silencioso, mas cheio de fé, que Maria assumiu por amor.

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Primeira dor de Maria: a profecia de Simeão sobre Jesus (Lucas 2,34-35)
O Menino é apresentado no Templo aos quarenta dias, porque Jesus quis cumprir toda a Lei para, estando debaixo dela, libertar-nos. Maria e José foram entregar o seu primogênito a Deus e oferecer um casal de pombos pelo resgate do Menino; contudo, ela sabia que aquele resgate seria provisório. Por isso, Simeão disse que uma espada traspassaria a sua alma. Maria guardava tudo em seu coração, na fé, certa de que tudo estava nas mãos de Deus, pois nada acontece sem que Ele o saiba. Maria entendeu, certamente naquela hora, que sua vida seria de sofrimentos.
Segunda dor de Maria: a fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus 2,13-21)
Maria, com o Menino de apenas quarenta dias, teve de atravessar o deserto para fugir de Herodes, precisando sair de sua terra. Essa é a devoção que a Igreja chama de Nossa Senhora do Desterro: é a Virgem que teve de deixar sua casa, sua pátria e sua língua para salvar o Filho de Deus.
Terceira dor de Maria: o desaparecimento do Menino Jesus durante três dias (Lucas 2,41-51)
Mais tarde, a “espada” reaparece quando o Menino tinha doze anos. Jesus foi ao Templo e lá permaneceu por três dias, enquanto seus pais o procuravam. Imagine o sofrimento dessa Mãe, sabendo que havia perdido o Filho de Deus! O evangelista narra que, quando encontraram o Menino, Maria disse: “Por que fizeste isso? Teu pai e eu estávamos aflitos!”. A única coisa que deve afligir o nosso coração é a perda de Jesus, pois, se O perdemos, perdemos tudo.
Quarta dor de Maria: o encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lucas 23,27-31)
A quarta espada ocorre quando Maria encontra o Filho no caminho do Calvário — o mais belo entre os filhos dos homens. Ela O encontra coroado de espinhos, flagelado e sangrando. Que mãe poderia suportar um sofrimento tão grande? No entanto, ela continuou ao lado de Jesus e seguiu até o Calvário.
Quinta dor de Maria: o sofrimento e a morte de Jesus na Cruz (João 19,25-27)
A quinta dor dá-se quando ela, no Calvário, vê seu Filho ser levantado no madeiro da cruz; vê o seu Filho pendurado por três horas; vê os soldados sorteando as Suas vestes e ouve Jesus perdoar, dizendo: “Meu Deus, por que me abandonaste?”. Depois, Ele disse: “Mãe, eis aí o teu filho”. Na agonia da morte, Ele ainda teve forças para entregar a Sua Mãe a todos nós.
Sexta dor de Maria: Maria recebe o corpo do Filho tirado da cruz (Mateus 27,55-61)
Na sexta dor, Nossa Senhora está aos pés da cruz e ouve Jesus dizer: “Pai, em tuas mãos Eu entrego o meu Espírito”. Maria permanece ali, com o coração estraçalhado. Jesus entrega a ela a humanidade, para que ela fosse a Mãe de todos. No meio do Concílio, o Papa proclamou: “Nossa Senhora é a Mãe da Igreja”. A mesma mulher que gerou a Cabeça da Igreja gerou também o Corpo, que são os seus membros.
Sétima dor de Maria: O sepultamento do corpo do Filho no Santo Sepulcro (Lucas 23,55-56)
“Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. No lugar em que Ele foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus, por causa da Preparação dos judeus e da proximidade da Páscoa”.
Maria é a Mãe da Igreja, a Mãe de cada um de nós, que nunca desampara a Igreja e jamais abandona cada um de seus filhos.






