A centralidade da Eucaristia e da oração na vida do sacerdote
A vida do padre deve ser alimentada por visitas contínuas ao sacrário. Podemos dizer que o sacrário é o coração da vida sacerdotal; é o lugar de onde emana toda a sabedoria e inspiração para o ministério.
Segundo o Papa São João XXIII, o que impede o padre de ser santo é a falta de reflexão, fruto da oração. Quando Jesus foi para o deserto ser tentado pelo diabo, vemos que tanto Jesus quanto o diabo citam as Escrituras, mas há entre eles uma grande diferença: um busca a verdade, enquanto o outro, o pai da mentira, busca a falsidade que destrói e corrói. Isso nos mostra que o problema da humanidade não é apenas moral, mas também hermenêutico; é um problema de interpretação.

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O desafio do ativismo e fidelidade ao ofício divino
Muitas vezes, o que impede o padre de ter uma vida profunda de oração é o ativismo, o excesso de fazer coisas. Não raramente, os padres são absorvidos por muitas atividades: reformar capelas, organizar festas para arrecadar recursos e tantas outras demandas. O excesso de ativismo, somado às responsabilidades administrativas – seja no campo financeiro, seja no pastoral – pode acabar ocupando o lugar do cultivo da vida interior, que é a oração do padre.
A recitação diária e integral da Liturgia das Horas não é um mero formalismo, mas um compromisso moral diante da Igreja e de Deus. Rezar o Ofício Divino em favor da comunidade confiada ao sacerdote e de toda a Igreja universal é um dever sério, pois o padre foi ordenado também para isso: trabalhar pela oração. É a oração do homem de Deus pela salvação da humanidade, especialmente da comunidade que lhe foi confiada.
A isso se soma a celebração diária da Santa Missa e a recitação do terço. Jesus e Maria são dois pilares fundamentais na vida espiritual do sacerdote. São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes, dizia que um dos mais belos ofícios do padre é “rezar e amar”. Eis, em poucas palavras, a profissão do padre.
O conselho de Santa Teresa de Calcutá
Certa vez, Santa Teresa de Calcutá perguntou a um jovem sacerdote – que hoje é o cardeal Angelo Comastri – o que ele rezava diariamente. O padre respondeu: “Rezo todos os dias a Liturgia das Horas integralmente, rezo um terço e celebro a Santa Missa”. Diante dessa resposta, Madre Teresa disse que aquilo ainda era pouco. Ela o aconselhou a dedicar diariamente ao menos trinta minutos à adoração eucarística.
O padre seguiu esse conselho. Mais tarde, o cardeal Comastri testemunhou que essa prática salvou o seu ministério.
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A força sobrenatural da adoração
A adoração eucarística, unida a uma vida discreta e recolhida, pode salvar o ministério sacerdotal de muitos padres.
A base da ação apostólica do sacerdote é esta: celebrar a Eucaristia e viver esse sacrifício na própria vida. Eis a força sobrenatural do ministério sacerdotal: adorar a Eucaristia, celebrar o sacrifício eucarístico e vivê-lo profundamente.
Quanto ao modo de adorar Jesus na Eucaristia, trata-se, antes de tudo, de estar em sua presença, ter consciência de que Ele está ali e alegrar-se por estar com esse amigo fiel. Não é necessário dizer muitas palavras. Basta olhar para Ele, tomar consciência de sua presença e saber que o simples fato de estar diante d’Ele já é suficiente para receber graças especiais.
Que muitos sacerdotes sejam transformados pela discrição, por uma vida escondida e silenciosa, mas profundamente encontrada no amor de Deus através da Eucaristia.
O Papa Pio XII, ao falar da paróquia cristã, dizia: “O centro é a igreja e, na igreja, o sacrário; e ao lado, o confessionário, onde se restitui a vida sobrenatural ou a saúde do povo cristão”. Só será possível ao padre curar as almas se, antes, ele mesmo for curado pelo amor eucarístico de Jesus.
Padre Leandro Rodrigues dos Santos
Arquidiocese de Curitiba
Mestre em teologia na Universidade Salesiana de Roma
Reitor do Seminário Propedêutico São João Maria Vianney
Pároco da Paróquia Santíssimo Sacramento em Curitiba




