Os gregos jamais poderiam entender o termo “plástica”
Para a cultura grega, a beleza partia de um conceito elevado e sublime. As realidades belas vem dos deuses, e mesmo se houvesse algo que pudesse parecer imperfeito, não poderia ser considerado fora daquilo que foi dado como um dom.
Hesíodo, por exemplo, exaltou a beleza de Pandora a ponto de superar qualquer abstração ou subjetivação dela.
O belo se conhece, admira-se e contempla-se
A cultura cristã percebeu, desde as suas origens, que a Beleza é sinal da presença de Deus. A sabedoria é bela, o amor do Criador parte das coisas belas e, sobretudo, a obra-prima, o ser humano, feito à imagem e semelhança é o mais concreto de todos os sinais da beleza divina.

Créditos: Arquivo CN.
É verdade que o dualismo teve uma incidência equivocada ao situar a beleza só em alguns membros do corpo. O conceito antropológico de “integralidade” é um conceito tardio e bem desenvolvido pela antropologia cristã; a beleza não está especificamente situada no rosto, nas nas formas, na cor ou nos músculos. A beleza é um todo real que passa pelo reconhecimento da corporeidade, da experiência orgânica e, de modo especial, da maneira sublime de identidade que cada ser humano possui.
Não somos belos e belas por partes, e sim pelo princípio de totalidade que em cada ser humano constitui o ser pessoa.
Deus é o princípio de toda beleza
A antropologia de São Paulo foi tão genial e original quanto a imagem, mas recorrente a imagem do Templo. Teríamos então que ver a unidade do templo que para muitos de nós ainda se reduz à construção, quando, na verdade, é a expressão da unidade aquilo que o templo representa. O corpo não é panteão, onde muitas partes formam algo; o corpo é templo onde o UNO do ser manifesta a sua disposição e organização única.
São Paulo percebeu que evangelizar a pessoa exige compreender que Deus é o princípio de toda beleza.
Ser belo é o mesmo que afirmar ser bom
Os termos particulares de beleza exigem um elemento que só nós cristãos entendemos na hora: ser belo é o mesmo que afirmar ser bom. Beleza e bondade não são simplesmente sinônimas, e sim intrínsecas. A beleza exige a bondade, e a bondade só pode gerar beleza.
Amar a beleza é fortalecer os vínculos com a bondade de Deus, por isso o verbo que mais se adapta a nossa vida é plasmar!
Um mundo de falsidade e exuberância artificial
Os mesmos gregos perceberam que alguns desejavam superar a beleza, por isso criaram os cosméticos. Um mundo de falsidade e exuberância artificial. O mundo sabe que a empresa de cosméticos avança mais e mais; hoje, com tristeza, assistimos a cenas que não possuem nada de belo, mas sim de exageros. A beleza do cosmético é pessoal e desintegrada, pois o cosmético não faz parte da organização do cosmos que ordena sem artificialidade a vida humana.
Não se trata de uma campanha anticosméticos, mas de uma tomada de consciência sobre a dignidade da corporeidade humana que possui em si mesma a mais alta qualidade dada pelo seu Criador.
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Sejamos, pois, templos vivos e não imagens plásticas
A beleza divina faz parte da lei divina, e a beleza humana temporal é cronologicamente destinada a possuir também seu caráter estético.
Sejamos, pois, templos vivos e não imagens plásticas; sejamos de carne e não de plástico, sejamos cientes da nossa unidade transcendente em relação ao nosso corpo e espírito que são sinais da maior beleza que Deus quer para todos nós.
Peçamos que cada ser humano possa se sentir um e, ali, na sua intimidade, descobrir a sua beleza.
Trabalhemos incessantemente para superar todos os tipos de anacronismos existentes em relação à unidade do nosso ser e, sobretudo, louvemos o Deus que nos criou, pois nos fez belos e capazes de reproduzir a beleza que cativa, que motiva e que salvará o mundo!
Por Padre Rafael Solano




