Maternidade

Quais são os dilemas da mãe moderna e como lidar com eles?

Em todas as épocas, as mães sempre tiveram dilemas, mas estes mudam de acordo com as circunstâncias sociais, culturais e econômicas

A vida moderna tem características próprias: a jornada de trabalho tanto da mãe quanto do pai dificulta o tempo de permanência deles com a família, o aumento da violência atual traz uma preocupação maior com a segurança dos filhos, as notícias sobre a queda da qualidade da educação escolar leva os pais a buscarem escolas com melhores referências, e o núcleo familiar, cada vez mais reduzido, traz dificuldades no cuidado diário com as crianças.

Quais são os dilemas da mãe moderna Como lidar com eles

Desde a mais tenra idade, surge o primeiro dilema: a mãe tem de voltar a trabalhar. A questão que entra em pauta é a seguinte: a criança vai ficar com a babá ou no berçário? Vai deixar com parentes ou com pessoas estranhas? A mãe deve voltar a trabalhar ou ficar em casa para cuidar pessoalmente dos filhos? Não existe resposta certa.

Essa decisão deverá ser analisada pensando nos prós e contras. Se a mãe ficar em casa, a criança terá mais apoio, porém, terão de adaptar-se ao salário do marido; mas, quando a mãe é a mantenedora, não há essa opção. Entre ficar com uma babá sozinha ou numa escola confiável, a segunda opção oferece uma possibilidade de a criança não sofrer maus tratos e ter uma alimentação mais saudável.

Quando se pensa no tempo disponível, lembre-se de que o que conta não é a quantidade, mas a qualidade do tempo, pois há mães que ficam em casa, mas, por falta de paciência, acabam agredindo os filhos em vez de educá-los e amá-los. Por outro lado, se o tempo que a mãe ficar em casa, ela se dedicar a brincar e ficar por inteiro com seus filhos – evitando trazer trabalho para casa, pelo menos enquanto as crianças estiverem acordadas –, esse tempo pertencerá a eles.

Outro dilema: qual a quantidade de presentes ideal? Muitas vezes, os presentes refletem uma forma de amenizar a culpa pela falta de convívio. Crianças que tem a dosagem correta de presentes, que aprendem a esperar por datas ou comportamentos que os justifiquem, terão menos frustrações na vida, pois foram treinados a esperar e merecer. Às vezes, pensamos que presentes devem ser caros ou da moda, mas pequenos itens construídos juntos podem ter valores afetivos que nenhum dinheiro pode comprar.

As mulheres, atualmente, fazem o papel de ‘Mulher Maravilha’, pois querem ser mães estremadas, esposas presentes e profissionais brilhantes; com isso, acabam superprotegendo os filhos, não deixando que se machuquem tanto física quanto emocionalmente. Mas, por mais que queiram, elas não conseguem, até porque o sofrimento faz parte do crescimento e amadurecimento. A estratégia é acompanhar a vida dos filhos com liberdade controlada e diálogo, pois isso ajuda na proteção e no desenvolvimento deles.

Para nortearmos a educação dos filhos, temos de saber que não os criamos para nós mesmos; portanto, é preciso dosar proteção e liberdade, e todas as escolhas precisam ser fonte de preparação para que eles possam ser felizes.


Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.

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