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Cartão de crédito e cheque especial: como usá-los?

É preciso administrar bem as contas do cartão de crédito e cheque especial

Cartão de crédito ou cheque especial? Qual devo usar? Como devo usá-los? São palavras comuns no dialeto econômico e financeiro da crise atual. Neste artigo, vamos tentar explicar o que é cheque especial e cartão de crédito. Quando devo ou não usar e, especialmente, porque os riscos (juros) são exorbitantes.

Antes de entrar nos pormenores do cheque especial, é preciso dar a definição dele. Pelo seu próprio nome “especial”, já sabemos que não é um instrumento financeiro para ser usado todo mês. Se você tem recorrido constantemente ao cheque especial, verifique que você está fazendo o uso da ferramenta de crédito de forma errada. O cheque especial é para ser usado na pior das hipóteses, quando não conseguimos prever um gasto. Como já dito, é uma ferramenta de crédito. Quando usamos uma ferramenta de crédito, é pelo simples fato de nossos rendimentos serem inferiores aos nossos custos ou despesas. Queremos antecipar a compra do bem, antecipar o prazer, o conforto.

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Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Cartão de crédito X cheque especial

Se estamos utilizando cheque especial com frequência, é provável que nossa renda esteja inferior às nossas despesas. É preciso corrigir a rota, aumentar a renda ou cortar custos. No melhor dos mundos, as duas coisas. Fazer horas extras, trabalhar alguns fins de semana ou conseguir um “bico” para pagar as contas; por outro lado, reorganizar suas despesas. Onde posso cortar? Para onde meu dinheiro está indo? Finalizo: não use o cheque especial. Suas taxas de juros beiram 318% ao ano! Procure outra ferramenta de crédito e organize suas finanças pessoais o quanto antes. Até mesmo o empréstimo pessoal, ainda que indesejado, é uma alternativa mais barata. No entanto, tenha cuidado, porque qualquer forma de crédito precisa ser acompanhado de disciplina financeira e uma boa planilha de receitas e despesas. Sem essas, até o empréstimo pessoal, modalidade cara, mas não tão cara quanto o cheque especial, pode ser um tiro no pé.

O cartão de crédito, muito popular, é uma ferramenta de crédito que bate à nossa porta sem pedir permissão. A todo instante, são oferecidos para nós novas bandeiras de crédito, programas de fidelidade, o famoso dinheiro de plástico.

Prático e aceito amplamente, o cartão de crédito talvez seja a ferramenta mais perigosa que temos hoje. Suas taxas de juros chegam a 470% ao ano. É preciso ter em mente que o conceito de cartão de crédito é antecipar ou facilitar o crédito. Ou seja: gasto o meu salário antes de recebê-lo; depois, pago a fatura. É comum vermos casos de pessoas que pagam quase a totalidade do salário somente com a fatura do cartão. Neste momento, vem a tentação: pagar a fatura mínima ou parcelar no crédito rotativo. A facilidade e o perigo moram juntos neste caso. Se para pegar um empréstimo pessoal é preciso ir ao banco, fazer pesquisas, conversar com amigos, gastar tempo e reflexão, o cartão é muito mais simples. O crédito já está pré-aprovado. Aliás, sempre que lhe oferecerem crédito fácil, desconfie.

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Quanto isso vai lhe custar? “As virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas” (Epicuro)

Virtudes e felicidade andam juntas. Virtude em economia e finanças é ter disciplina, planejar-se, não correr riscos desnecessários. Quem não se planeja, paga caro.

Deus abençoe você.


Bruno Cunha

Mestrando em Desenvolvimento Regional pela Universidade de Taubaté (UNITAU), Bruno Cunha possui Pós-graduação em Administração (MBA) pela Fundação Getúlio Vargas e graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente, é diretor administrativo e financeiro da Faculdade Canção Nova, onde também atua como professor. Cunha tem experiência na área de Finanças, Economia, Educação Financeira, Finanças pessoais e Administração Financeira e Orçamentária.

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