Terminologicamente, nós temos padres religiosos e padres seculares na Igreja
Padres religiosos são aqueles que vivem em uma congregação e assumem um carisma específico. Por exemplo, a Companhia de Jesus (conhecida como Jesuítas), que tem o carisma da educação; a Congregação do Santíssimo Redentor (conhecida como Redentoristas), com forte carisma missionário e pastoral popular; a Sociedade Salesiana de Dom Bosco (os Salesianos), também com marcante presença missionária e pastoral voltada à juventude, e assim por diante.
Na Igreja Católica, em todo o mundo, existem mais de duzentas congregações religiosas masculinas que ordenam padres. O religioso vive um carisma específico e, além disso, professa os votos de pobreza, castidade e obediência – compreendidos pela Igreja como conselhos evangélicos.
O padre secular ou diocesano
Já o padre secular, que compreendemos como sendo o padre diocesano, não faz votos religiosos nem vive um carisma específico. Contudo, pelo sacramento da Ordem, segundo o Direito Canônico, assume a obrigação de viver a castidade celibatária e a obediência ao bispo diocesano. O padre diocesano vive em função da vida da diocese. Sua principal missão é servi-la: administrar os sacramentos, cuidar das comunidades, organizar a vida pastoral local e atender às demais necessidades da diocese segundo a orientação do bispo diocesano.
O padre secular, ou, se preferirmos, o padre diocesano – foco do presente texto -, para ter unidade e liberdade interior, precisa tomar como ponto de partida a palavra de Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me…” (Mt 16,24).
Embora o padre secular não faça os votos dos conselhos evangélicos (pobreza, obediência e castidade), ele é chamado por Deus a viver essas três realidades. Vivê-las fará do padre diocesano aquele que vai até Jesus, renuncia a si mesmo e toma a sua cruz.
Se o padre diocesano, apesar de não professar os votos, não viver concretamente a pobreza, a obediência e a castidade, viverá para si mesmo e não para Cristo. O sacerdócio se tornará um projeto pessoal, dividindo o próprio coração, e não uma resposta real ao chamado de Deus. O padre que não renuncia a si mesmo vive de máscaras; e Deus não chama máscaras, chama pessoas reais.
Um padre que vive para si, que mantém planos alternativos caso o plano de Deus “não dê certo”, será um homem infeliz e incompleto. Não carregará a paz no coração, nem a serenidade na consciência, nem o brilho no olhar de quem pertence verdadeiramente a Cristo.
O salmista afirma que aquele que confia em Deus não será abandonado
Confiar em Deus deve ser o único plano do sacerdote. A confiança o leva a viver a pobreza; e, sendo pobre e desapegado, viverá a obediência com espírito de mortificação da própria vontade. A castidade, como expressão de amor, encontrará lugar no seu coração. Da vivência desses três conselhos nascerão frutos abundantes, pois, como diz o Senhor: “Em verdade, em verdade vos digo, vereis coisas maiores”. (Jo 1,51).
O início de uma vida casta e obediente, sem sombras de dúvidas, começa na pobreza. Viver a pobreza significa não colocar a esperança no dinheiro; não exercer o ministério em busca de dinheiro; não fazer uso de dinheiro injusto; usar o dinheiro com modéstia; auxiliar, com obras de caridade, aqueles que precisam; não fazer do dinheiro um deus, mas compreendê-lo como um meio para a subsistência, para o uso legítimo e também para o descanso e o lazer.
Uma observação interessante, quase um pequeno laboratório de espiritualidade: a pobreza evangélica nunca foi simplesmente não ter dinheiro. No coração da tradição cristã, trata-se de não ser possuído pelo que se possui. O dinheiro é uma ferramenta curiosa da vida humana – extremamente útil, perigosamente sedutora. Quando ele deixa de ser instrumento e vira sentido da vida, nasce uma espécie de idolatria silenciosa. É justamente isso que a pobreza evangélica combate. Também, talvez, o padre deva ser pobre até mesmo no desejo de ser visto, no desejo de acumular visualizações, curtidas e compartilhamentos, para que Jesus seja o centro e a luz.
É importante que o padre secular se pergunte: onde está o meu coração?
Que essa pergunta seja confrontada com as palavras cheias de vida do Senhor: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6,21). Que o coração dos sacerdotes não esteja no dinheiro, nem mesmo na busca de glória, mas no coração de Jesus, única razão e sentido da vida sacerdotal.
Padre Leandro Rodrigues dos Santos
Arquidiocese de Curitiba
Mestre em teologia na Universidade Salesiana de Roma
Reitor do Seminário Propedêutico São João Maria Vianney
Pároco da Paróquia Santíssimo Sacramento em Curitiba




