Testemunho

Minha vocação sacerdotal não foi abortada no ventre de minha mãe

Padre Sóstenes conta como nasceu sua vocação para a vida consagrada

Por Alessandra Borges
       Rebeca Astuti

A vocação é um dom gratuito que Deus nos concede, portanto, precisamos descobrir para qual delas somos chamados. Na Comunidade Canção Nova, seus membros escolheram vivenciar a missionariedade, ou seja, colocaram suas vidas em prol da evangelização.

A Canção Nova possui missionários do núcleo e segundo elo, além dos homens que, durante o caminho vocacional ou processo de discernimento, sentem o chamado para o sacerdócio. Essa foi a realidade vivenciada pelo sacerdote Sóstenes Chaves. Ele conta que Deus o escolheu para a missão de evangelizar desde o ventre materno.

A vocação sacerdotal e a missionariedade já estavam nos planos de DeusFoto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Padre Sóstenes é pernambucano, nascido na cidade Escada, e faz parte da comunidade há 15 anos. Ele afirma, com o coração repleto de felicidade, que é Canção Nova desde sempre.

Confira o testemunho

cancaonova.com: “Antes que no seio fosse formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações”. (Jr 1, 5). Como essa palavra se encarna na sua vida?

É muito nítido para mim e para as outras pessoas que convivem comigo como essa Palavra se encarna na minha vida, porque, no mistério de Deus e no mistério de amor, fui gerado.

Meus pais não eram casados na Igreja, eles viviam um relacionamento extraconjugal e, desse relacionamento, fui concebido. Quando minha mãe soube dessa concepção, passava pela cabeça dela não ter a criança, e, assim, ela tentou o aborto por três vezes, mas os desígnios de Deus venceram, pois Ele tinha um plano grande para mim.

O Senhor me chamou para ser consagrado na Comunidade Canção Nova e também ao sacerdócio. Mesmo que eu ainda não soubesse nada disso, nem minha mãe ou qualquer outra pessoa, realmente, antes que no seio eu tivesse me formado, Deus já me conhecia.

Monsenhor Jonas, fundador da Canção Nova, também fala isso nos Nossos Documentos, que, quando Deus pensou a Canção Nova, ele pensou nas pessoas que, com o passar do tempo, iriam chegar, e elas viram uma a uma. No sonho e no pensamento de Deus, já existia a Canção Nova e cada consagrado.

Posso dizer, concretamente, que essa Palavra de Jeremias se encarnou na minha vida sem sombras de dúvidas, porque, antes do meu nascimento, Deus já havia me consagrado, separado e designado um profeta para falar em nome do Senhor.

Dessa forma, pude anunciar o Evangelho em outras línguas como o inglês e o árabe; agora, estou estudando espanhol. Mesmo que não seja em outras línguas, mas que seja também na linguagem daquele que não entende e não aceite que está longe do Senhor, nós tentamos levar a Palavra de Deus, para que ela se adapte de um modo que as pessoas consigam compreender aquilo que é o sonho de amor do Senhor para cada um de nós. Sinto-me esse anunciador da Palavra de Deus. Ele me salvou um dia; agora, sou chamado também a levar a salvação para muitos outros. Inclusive, meu nome significa isso, Sóstenes, força que salva.

cancaonova.com: Como conheceu a Comunidade Canção Nova?

Posso dizer que conheci a Canção Nova, conscientemente, depois dos meus 17 anos, quando vivi a experiência do encontro pessoal com Jesus e o batismo no Espírito Santo, lá no meu interior, em Escada (PE). Ouvi, no grupo de oração, os irmãos falando dessa TV Católica e da comunidade, e fui assistir. Gostei muito da programação e achava algo maravilhoso! Fui conhecendo a Canção Nova por meio da televisão e também nos encontros de jovens que tocavam as músicas da comunidade; além do Dunga, do PHN e também da radicalidade de como ser todo de Deus.

Depois que iniciei o caminho vocacional, fui retomando minha história e voltando ao meu passado. Descobri que Deus já havia colocado vários sinais de que eu era Canção Nova e que Ele havia me chamado a ser comunidade bem antes dos meus 17 anos. Recordo-me do primeiro encontro vocacional de que participei. Ao entrar na loja do DAVI [Departamento de Audiovisuais da Canção Nova], em Gravatá (PE), havia um CD do Dunga e nele aquela pombinha da Canção Nova. Lembrei-me de que já havia visto aquele símbolo na minha casa, quando tinha por volta dos meus 14 anos.

Minha mãe começou a participar dos encontros da Renovação Carismática Católica (RCC) e, um dia, levou fitas cassetes e CDs para casa, e umas das canções desse CD era ‘Pense Bem’, a qual me chamava muita à atenção, pois dizia assim: “Todos moram na mesma vila, todos moram na mesma rua, se vêem logo quando se levantam de manhã. Sabem de cor os seus nomes, a cor dos olhos, o jeito de andar, e fazem o bem sem precisar justificar. A minha vila é mesmo assim, foi Deus quem quis isso para mim. Não tenho mais, agora, como voltar. Você também pode fazer da sua vida em bem-querer, pois Deus também está em você!”

Eu não entendia o que era aquela vila, aquele negócio em que as pessoas se conheciam, mas aquela música me chamava à atenção. Só depois fui entender que era a vida em comunidade. Então, esse encontro com a Canção Nova aconteceu bem antes, e fui tomando consciência do que era a Canção Nova a partir dos 17 anos.

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cancaonova.com: Quando e como aconteceu o seu chamado para a vocação sacerdotal?

Deus é paciente e tem seus meios para nos mostrar e revelar qual é a Sua vontade, ou seja, Seu desígnio e plano de amor para cada um de nós. Comigo não foi diferente! Primeiro, Ele me levou a ter um encontro pessoal com Seu Filho, e eu conheci Jesus, tive um encontro pessoal com Ele. Depois desse encontro pessoal com Jesus, vivi a experiência no batismo no Espírito Santo, e a minha vida foi sendo transformada. Surgiu aquele desejo de viver a santidade, a vontade de Deus, e deixar as coisas do mundo para trás.

Nessa busca, eu também vivi namoros santos, e não mais namoros do mundo, como eu vivia antes de conhecer Jesus. Uma das coisas do namoro santo é perguntar a Deus quem é a pessoa certa, quem será a mulher ou o homem de Deus na minha vida, para que eu possa me casar e ter filhos um dia. Então, lembrei-me da experiência do padre Marcelo Rossi, que ficou dois anos sem namorar, sem paquerar, só perguntando qual era a vontade de Deus na vida dele.

Lembrei-me também da experiência do Dunga, que ficou também um tempo perguntando qual era a vontade de Deus na vida dele, e também não ficou paquerando nem namorando ninguém, porque ele estava em um tempo de discernimento. Então, pensei: “De um lado, um que foi ser padre; do outro lado, um que decidiu pela vocação matrimonial. Decidi que também iria viver esse tempo de discernimento para escutar a voz de Deus, porém, eu não tive a coragem para dizer a Deus que iria ficar dois anos sem namorar ninguém, pois não sabia dizer que daria conta de viver aquele tempo. Em oração, disse a Deus: “Senhor, vou dar esse tempo, mas não sei quanto é esse tempo. Se o Senhor, nesse tempo de discernimento, disser para eu me casar, vou casar, mas se for o sacerdócio, vou caminhar para a vida sacerdotal.

Deixei Deus livre em relação ao tempo em que Ele iria falar comigo. O tempo foi passando e algumas coisas foram acontecendo. Chegava uma pessoa e me dizia: “Você vai ser padre”. Eu dizia que não sabia se era isso, mas, de repente, estava na Missa e me via lá no altar. Um dia, eu estava na pós-comunhão, e o padre falou: “Você, que sente esse chamado ao sacerdócio, entregue-se a Deus”. Meu amigo de caminhada bateu no meu ombro e disse que isso era para mim, e que ele queria ser a primeira pessoa a receber a Eucaristia das minhas mãos.

Deus foi me mostrando sinais, mas nada muito forte o bastante para me fazer decidir por minha vocação. Inclusive, vieram propostas de namoro, mas eu sabia que ainda não estava na hora, porque precisava ouvir Deus e saber o que Ele queria de mim.

Fiquei, durante oito meses, perguntando-me sobre qual era a vontade do Senhor para a minha vida. Eu não tinha tanto tempo assim na caminhada com Deus, porque fui para a Igreja aos 17 anos. Em 1999, fui batizado no Espírito Santo, momento em que aconteceu aquela virada radical na minha vida.

Após os oito meses de discernimento, no dia 13 dezembro de 2000, quando cheguei em casa à noite, fui fazer minhas orações e falei para Deus que estava sendo muito difícil ser fiel ao meu compromisso. Se Ele não me ajudasse, eu não conseguiria permanecer na fidelidade. Pedi para o Senhor me revelar, falar comigo e fazer com que eu descobrisse qual era vontade d’Ele na minha vida, porque estava disposto a seguir a vocação, independente de qual fosse ela. Eu só não queria errar nesse discernimento.

Conversei com Deus e chorava durante aquela oração, implorando que Ele falasse comigo de alguma forma. Então, recordei-me de que minha tia tinha o hábito de ler um Salmo, todos os dias, antes de dormir. Peguei minha Bíblia e, quando a abri, caiu exatamente no livro dos Salmos. Comecei a ler o Salmo 115 que diz: “Amo o Senhor, porque ele ouviu a voz da minha súplica”. Quando li isso, chorei muito, porque sabia que Deus havia me escutado e iria falar comigo. Continuei a ler os versículos e tive a certeza de que o Senhor me queria para a vocação sacerdotal.

Queria mais um ano para discernir neste caminho que fiz para a Canção Nova, mas esse Salmo me acompanhou e me deu a certeza desse chamado. Também ficou claro a vontade de servir a Deus, de entregar-me, dedicar o amor aos pobres e àqueles que precisam de ajuda. Eu amo ajudar as pessoas! E por causa dessa entrega ao sacerdócio e do dom do celibato, fui percebendo que Deus tem me dado essa graça.

Um ano depois, já estava na Canção Nova. Numa Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, descobri que o Salmo rezado, neste dia, é o 115. Esses sinais me fizeram descobrir a vontade de Deus para minha vida: a Comunidade Canção Nova e a vocação sacerdotal.

Assista à mensagem do padre Sóstenes para o mês vocacional

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