O Real Sentido da Semana Santa
A Semana Maior e as memórias da infância
O povo sempre chamou a Semana Santa de “Semana Maior”. Lembro-me de que, em minha infância, minha mãe nos dizia para não gritarmos na Sexta-feira Santa. Naquele dia, um silêncio solene tomava conta de tudo. Os carros não buzinavam, o trem não apitava e ninguém trabalhava. Meu pai, que tinha um pequeno sítio, precisava ordenhar as vacas, pois a interrupção causaria problemas. Ele acordava de madrugada, com os empregados, e realizava a tarefa antes do amanhecer, à luz de lampiões. Éramos oito irmãos e, como crianças, tínhamos dificuldade em conter a euforia, mas minha mãe nos repreendia, dizendo: “Silêncio! Hoje é o dia em que o Senhor morreu na cruz por nós”. Havia um profundo sentimento de respeito e contrição. A cidade inteira silenciava.
Celebrando a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo
A Semana Santa é o momento em que celebramos a Paixão e Morte de Cristo. Esse é o seu sentido profundo. Por isso é fundamental participarmos, ao menos, do Tríduo Pascal: Quinta-feira Santa, com a Missa do Lava-pés e a Adoração ao Santíssimo; Sexta-feira Santa, na qual celebramos a Morte de Cristo; e, às três horas da tarde, adoramos a Cruz – não a madeira em si, mas o mistério que ela representa, o sacrifício de Cristo por amor a nós. Ele morreu na cruz para pagar, diante da justiça divina, o preço do perdão para toda a humanidade. Não há amor maior do que este: Deus entregou Seu Filho único porque o Verbo, no seio da Trindade, intercedeu junto ao Pai para vir ao mundo e salvar a humanidade.
O Silêncio do Sábado Santo e a Alegria da Páscoa
O Sábado Santo é o dia em que Cristo jaz no sepulcro. É um dia de silêncio, adoração e oração, que se estende até a noite, quando celebramos a Vigília Pascal, a Ressurreição de Cristo, a vitória sobre a morte. Portanto, devemos celebrar o Tríduo Pascal – Quinta, Sexta e Sábado Santo, culminando no Domingo de Páscoa – com devoção e fervor.
Transcrito e adaptado por Jonatas Passos