Para compreendermos a queda do homem e o pecado original, é necessário olhar para uma realidade anterior: a queda dos anjos. O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 391, ensina que por trás da desobediência de nossos primeiros pais, existe uma “voz sedutora”, oposta a Deus, que os faz cair por inveja. Essa voz pertence a criaturas espirituais que, criadas boas por Deus, tornaram-se más por livre iniciativa.
A escolha de Lúcifer: um teste de amor
A doutrina da Igreja e os santos apresentam Lúcifer como um dos anjos mais belos e perfeitos criados por Deus, um “anjo de luz”. No entanto, ele e uma multidão de outros anjos passaram por uma prova de amor que estava intrinsecamente ligada à sua liberdade.
Diferente do que se possa imaginar, Deus não criou o mal; o mal é a ausência do bem. Os anjos, em seu livre-arbítrio, deveriam escolher amar a Deus, mas Lúcifer, movido pela soberba e inveja, escolheu o amor de si próprio em detrimento do amor ao Criador. Sua magnificência era tamanha que ele foi capaz de convencer um terço dos anjos a segui-lo em sua rebelião.
Por que a queda dos anjos é irremediável?
Uma dúvida comum entre os fiéis é por que os demônios não podem se arrepender. A resposta reside na natureza das criaturas espirituais. Diferente dos seres humanos, nos anjos não existem oscilações de paixões ou sentimentos que geram arrependimento posterior.
Os anjos possuem uma totalidade de sabedoria e racionalidade. Quando tomam uma decisão, eles o fazem com pleno conhecimento das consequências. Portanto, a escolha dos anjos contra Deus é irremediável; a sua vontade é fixa e não volta atrás após a decisão tomada em sua liberdade radical.
Assista à série Luz da fé:
.:A diferença entre o catecismo de Pio X e o catecismo atual
.:Como utilizar o catecismo?
O reflexo em nossa vida espiritual
A queda dos anjos serve como um alerta profundo para todos os cristãos. Se seres puramente espirituais, dotados de tamanha inteligência e bondade original, foram capazes de escolher o erro, quanto mais nós devemos estar atentos!
Nós carregamos as consequências dessa voz sedutora que tenta nos destruir por inveja do que Deus criou. Por possuirmos inclinações às paixões desordenadas e a concupiscência, nossa necessidade de vigilância e oração é constante. A história da queda dos anjos nos ensina que a liberdade é um dom precioso que deve ser sempre orientado para o amor de Deus, e não para o fechamento em nós mesmos.
Transcrito e adaptado por Willian Coutinho

