Cultivar a amizade

Amigos, amigos, casamento à parte?

No casamento, essa busca de cumplicidade, companheirismo e confiança não precisa esfriar

A amizade é uma das riquezas que Deus nos permite ter nessa vida. Quando crianças, chamamos de amigos aqueles meninos e meninas com os quais mães, pais ou responsáveis nos colocam em contato; geralmente, os vizinhos mais próximos, os primos e os colegas de escola.


Foto: monkeybusinessimages by Getty Images

Na adolescência, uma fase de descobertas, entramos para uma turma que tenha os mesmos gostos que nós, e estes, muitas vezes, são completamente diferentes do que os pais e mães escolheriam.

Não necessariamente abandonamos os amigos de infância, mas exercitamos, de maneira mais autônoma, a escolha desses amigos – e vamos nos moldando a novos grupos.

Na juventude, vêm os colegas de trabalho; alguns se tornam até amigos. Há também os amigos de farra, os amigos de fé. E muitos casamentos nascem assim, entre amigos, o que é bom e louvável.

Em outros casos, o casal se apaixona, aproxima-se e, no namoro, vai construindo a amizade, descobrindo-se amigo um do outro. Quando se casam, essa busca de cumplicidade, companheirismo e confiança não precisa esfriar.

Compartilhar a vida fora de casa

Todos nós temos grandes amigos, aqueles que sabem todos os nossos segredos e sonhos. O importante, porém, é compartilharmos nossa vida não só com eles, mas com os maridos.

Temos de saber que os homens, geralmente, não são muito conversadores, como boa parte de nós é. A questão, no entanto, é a seguinte: precisamos cultivar o diálogo e a amizade no namoro, noivado e casamento? Não faz sentido compartilharmos a vida com os amigos “fora de casa” e deixar quem divide o mesmo teto conosco, quem nos escolheu como parceiras de vida, à margem do que acontece.

Leia também:
:: Como é boa a vida a dois
:: O casamento não é uma “missão impossível”
::
O significado da aliança de casamento e sua sacralidade
::
Estamos em guerra: casamentos descartáveis e famílias em segundo plano

Eu sei que nem todos os homens são pacientes para escutar, nem todos querem se abrir ao diálogo, mas mulher, comece por você. Com sabedoria, identifique momentos em que vocês possam conversar sobre o dia a dia, sobre sonhos e planos, mas sem tagarelar sobre a sua vida na hora do futebol ou do vídeo-game dele, senão, vai ser briga na certa! Seja sábia.

Aproveite para criar situações propícias para uma conversa, como uma caminhada no fim da tarde, quando se vai e volta juntos para o trabalho, ficar ao lado conversando e contando da vida enquanto o outro faz a comida ou lava as vasilhas. Isso é ser companheiro.

Colocar a conversa em dia

Lá em casa, freamos o corre-corre com o hábito de fazer todas as refeições à mesa nos fins de semana; então, é um dos nossos momentos de colocar “as fofocas em dia”. É divertido e muito edificante ouvir sobre o trabalho do esposo, seus planos, como ele venceu as dificuldades e também dar a oportunidade para que ele peça sua opinião e seus conselhos. E vice-versa, hein, maridos! Muitos casamentos acabam, porque os cônjuges não sabem cultivar a amizade.

Há uma música que fala: “amigo é coisa para se guardar”, mas, no casamento, precisamos aproveitar essa amizade que o Senhor nos deu e fazer dela um espaço de cumplicidade e exercício diário, que nos edifica e conduz ao céu.

E você, já bateu aquele papo gostoso com seu esposo hoje?


Mariella Silva de Oliveira Costa

Mineira , esposa, católica, feliz e amante de uma boa prosa. Jornalista, pesquisadora e professora universitária, é doutora em Saúde Coletiva (UnB), mestre em tocoginecologia (Unicamp), especialista em jornalismo científico (Unicamp) e graduada em comunicação social (UFV). Participa da RCC desde 1998 tendo atuado no Ministério Universidades Renovadas e no Ministério de Comunicação Social. Cofundadora do projeto Muitas Marias.com
Contato: mariellajornalista@gmail.com Twitter: @_mari_ella_

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.