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1º Domingo do Advento | Preparando o coração para Cristo

O calendário litúrgico da Igreja se renova, e com ele iniciamos um tempo de profunda expectativa e esperança: o Tempo do Advento. A Igreja, em sua sabedoria maternal e pedagógica, nos convida a trilhar um itinerário espiritual de quatro semanas, preparando-nos não apenas para celebrar o nascimento histórico de Jesus no Natal, mas, sobretudo, para a Sua Segunda Vinda Gloriosa. Este é um convite urgente à vigilância e ao exame de consciência.

O chamado à vigilância, os sinais do Tempo Novo

O Advento marca o início de um novo ano litúrgico, e a própria liturgia nos oferece sinais visíveis para nos guiar. A cor roxa, que reveste o sacerdote e o altar, simboliza a penitência, a moderação e a vigilância de quem aguarda com desejo. As flores mais discretas e a omissão do hino do Glória durante este período não são meras formalidades, mas recursos pedagógicos que nos ajudam a concentrar no essencial, a alargar o coração para que, na Noite Santa, o “Glória a Deus nas alturas” ressoe com toda a sua força e significado.
A liturgia dos dois primeiros domingos do Advento, em particular, volta o nosso olhar para a escatologia, a doutrina das últimas coisas. Somos confrontados com a verdade de que “não sabemos o dia nem a hora” em que o Senhor virá. Essa reflexão não deve gerar medo nem ansiedade, mas sim uma santa atrição, um convite à mudança de vida a partir da consciência da eternidade.
“É hora de despertar do sono” (Rm 13,11)
Essa passagem bíblica, central na mensagem do Advento, é um poderoso chamado a parar de olhar para fora e ter a coragem de olhar para dentro.

O exame de consciência, o amor como medida eterna

O Advento é, por excelência, um tempo de exame de consciência. A pergunta fundamental que se impõe é: Como estamos lidando com as coisas que não passam? A vida terrena é passageira, e São João da Cruz nos recorda que, no entardecer da nossa existência, seremos julgados pelo amor. O amor, no contexto cristão, é o oposto do egoísmo; é sacrifício e doação. É necessário verificar a qualidade das nossas relações, especialmente dentro de casa, onde não podemos enganar aqueles que mais nos conhecem. O Advento nos desafia a reconhecer que, muitas vezes, a mudança que buscamos no outro deve começar em nós. A verdadeira preparação para o Natal passa por uma equação de vida: Deus precisa ter o primeiro lugar.

A equação da vida, qualidade de tempo com Deus

O tempo que dedicamos a Deus é o termômetro da nossa fé. Em meio às demandas do trabalho, do lazer e do descanso, somos convidados a refletir: Quanto tempo tenho gasto para o Senhor? A tendência humana é buscar a Deus apenas na necessidade. Contudo, a regra da vida cristã é clara: quanto mais próximo de Deus você estiver, mais você será aquilo que Ele quer que você seja.
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E o que Deus quer para nós não é apenas a felicidade superficial, mas a nossa realização plena como melhores pais, melhores esposos, melhores filhos. Existe em cada coração um vazio que o mundo tenta preencher com prazeres e bens passageiros. Este vazio, porém, foi reservado por Deus para Si.

O retorno ao essencial, confissão e Eucaristia

Para “despertar do sono” e nos despojarmos das “obras das trevas”, como ensina São Paulo, é imperativo romper com tudo aquilo que nos afasta de Deus. Diante do pecado mortal, a doutrina católica exige um rompimento imediato. O Advento é a oportunidade de voltar ao essencial: Cristo Jesus. É o momento de renovar a esperança, que é uma Pessoa, e não uma coisa ou uma expectativa frustrada. Para preencher o vazio interior, o caminho é a graça sacramental: a Confissão, que nos reconcilia com Deus, e a Eucaristia, que nos alimenta com o Pão da Vida.
Que, neste Tempo do Advento, possamos voltar o nosso coração para Deus, preparando-o para que Ele seja a essência, o principal, aquilo que não passa em nossa vida. Assim, a alegria do Natal será a coroação de um coração vigilante e convertido.