Espera, o preço da felicidade!

Minha mãe costuma dizer que aproveitamos mais a espera, o preparativo para a festa do que a festa em si. A felicidade está em aguardar, em se preparar, em estar na expectativa desse momento de felicidade. Esperar nos dá vida, nos “desinstala” e nos alegra. A felicidade tem o preço da espera.

Pergunte a uma namorada o quanto é bom esperar o namorado chegar. Pergunte a uma mãe como é boa a expectativa do parto. Pergunte a um doente como a certeza de uma visita o refaz. A espera é um preço que pagamos pela felicidade do momento. É como uma viagem em que é necessário passar horas, talvez dias, para chegar ao destino, ao lugar tão sonhado.

O tempo do Advento é isso: a expectativa da chegada do Senhor, que veio há mais de dois mil anos, mas que voltará em breve. É por isso que mesmo paramentada de roxo, o sentimento que a Igreja vive é diferente. Não é o da dor do deserto da Quaresma, mas da espera da volta gloriosa do Filho de Deus. A Igreja vive neste tempo um misto de alegria e dor. Alegria da certeza da volta do Senhor e a dor da espera. Esperamos a volta d’Aquele que é O amado, d’Aquele que dá sentido às nossas vidas.

Para mim, uma das melhores descrições da expectativa da chegada da pessoa amada é a utilizada pelo autor francês Saint-Exupéry – em sua célebre obra “O pequeno príncipe” – na declaração de amor da raposa para o amigo príncipe: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!”

Assim deve estar a nossa alma no tempo do Advento: inquieta e agitada pela expectativa da vinda do Senhor. Inquieta para ser melhor, para estar em santidade e preparada para a volta de Jesus. E agitada por levar tantas outras almas a esperarem ansiosas a manifestação do Senhor.

Ao contrário da raposa, nós não sabemos a hora exata em que o Senhor virá; por isso precisamos começar a ser felizes agora. A grande certeza, que temos, é que a hora está chegando, e como a raposa, a cada dia estamos mais felizes. A alegria nos invade porque o Senhor está voltando.

A grande diferença na expectativa da vinda do Senhor é que quando Ele chegar a alegria vai ser muito maior. Não podemos imaginar o quanto seremos felizes, o quanto os nossos corações estarão em festa por terem aprendido a esperar. Será felicidade sem limite.

“Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição” (Ap 21,4)

Essa felicidade eterna nos dá a esperança para aguardar, para sofrer as demoras e as dificuldades no caminho. A espera tem sentido porque a felicidade tem nome: Jesus Cristo.

Aprendi com a raposa o preço da felicidade. Aprendi com a Igreja a esperar o Senhor e a clamar “Maranathá: Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,21).

Seu irmão,

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