⛪ Comunhão

O que significa pertencer à Igreja?

O que significa pertencer de fato à Igreja Católica?

Antes de saber quem pertence à Igreja Católica, é preciso saber que só existe uma Igreja fundada por Cristo; ela é Una e Única. Diz o nosso Catecismo no n. 816: “A única Igreja de Cristo (…) é aquela que nosso Salvador, depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para que fosse seu pastor e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la… Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na (‘subsistit in’) Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”.

Créditos: Arquivo CN.

O Decreto sobre o Ecumenismo, do Concílio Vaticano II, “Unitatis Redintegratio”, afirma que: “Somente por meio da Igreja Católica de Cristo, ‘a qual é meio geral de salvação’, pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos que o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança somente ao Colégio Apostólico, do qual Pedro é o chefe, a fim de constituir na terra ‘um só Corpo de Cristo’, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de alguma forma, já pertencem ao Povo de Deus”.

Os critérios para a plena incorporação

O Catecismo da Igreja (n. 837), citando a “Lumen Gentium” (n. 14), diz que: “São incorporados plenamente à Igreja os que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam a totalidade de sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos, e em sua estrutura visível — regida por Cristo por meio do Sumo Pontífice e dos Bispos — se unem com Ele pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do regime eclesiástico e da comunhão”.

E o Catecismo ainda diz que: “Contudo, não se salva, embora esteja incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece dentro da Igreja ‘com o corpo’, mas não ‘com o coração’”.

O Concílio Vaticano II disse que pertencem plenamente à Igreja Católica aqueles que são batizados validamente, professam a fé católica, recebem os sacramentos e estão em comunhão com o Papa e os bispos.

A pertença além da estrutura visível

Portanto, não basta ser batizado para de fato fazer a vontade de Deus na pertença à Igreja; é claro que o Batismo é essencial, pois por ele nos tornamos filhos de Deus (cf. Cat. n. 1250, 1270), membros de Cristo, templo do Espírito Santo e herdeiros do Céu; mas é preciso, ainda: aceitar a organização estrutural e hierárquica da Igreja, aceitar todos os meios de salvação nela instituídos (sacramentos, orações, liturgia, sacramentais, etc.), submeter-se à autoridade do Papa e dos bispos, aceitar a doutrina católica (dogmas, credo, moral) e todas as normas aprovadas pela Igreja.

Pertencem de modo imperfeito (ou parcial) à Igreja e também estão ligados a ela, embora não plenamente, os cristãos não católicos (como ortodoxos e protestantes), pois são batizados e creem em Cristo, mas não estão em plena comunhão com a Igreja Católica.

O Catecismo, no n. 838, diz que: “Por muitos títulos a Igreja sabe-se ligada aos batizados que são ornados com o nome cristão, mas não professam na íntegra a fé ou não guardam a unidade da comunhão sob o Sucessor de Pedro. Aqueles que creem em Cristo e foram devidamente batizados estão constituídos em certa comunhão, embora não perfeita, com a Igreja Católica”.

Com as igrejas ortodoxas, esta comunhão é tão profunda “que falta bem pouco para que ela atinja a plenitude que autoriza uma celebração comum da Eucaristia do Senhor”.

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A possibilidade de salvação e o “Sentire cum Ecclesia”

É bom lembrar o que disse o Catecismo no n. 846: “Por isso, não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus por meio de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar”. Mas o Catecismo diz ainda que: “847. Esta afirmação não visa àqueles que, sem culpa, desconhecem Cristo e sua Igreja: ‘Aqueles que, sem culpa, ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna’”.

Cabe a quem pertence à Igreja fortalecer cada vez mais seu vínculo com esta boa “Mãe e Mestra”, já que ela é “o Sacramento universal da salvação” (LG 48). É por ela que Cristo nos toca e nos salva, pelos sacramentos. Por ela devemos rezar, trabalhar e até mesmo oferecer os sofrimentos pela sua edificação e a construção do Reino de Deus.

Os Santos Padres diziam que pertencer à Igreja, ser de fato seu filho, é “sentire cum Ecclesia”, isto é: amar a Igreja, sentir com a Igreja, sofrer com a Igreja, lutar pela Igreja e defender a Igreja.


Felipe Aquino

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br e Twitter: @pfelipeaquino