Propriedade particular: um bem ou um mal?

A leitura do “Manifesto do Partido Comunista”, de Karl Marx e Friederich Engels, publicado em 1848, dava a impressão de que haveria no mundo uma verdadeira revolução, não somente na economia, mas também em todos os setores da vida social. Para os que lançaram no mundo a idéia de que a causa de todos os males se enraizava na propriedade particular e a salvação, na propriedade dos bens, da terra, dos serviços, das indústrias, era a única, senão a principal causa de toda a desigualdade entre homens e mulheres, centralizada nas mãos de um governo onipotente, seria a superação de toda a centralização dos bens de produção.

Assim, para os marxistas, era urgente superar quanto antes qualquer diferença entre as classes sociais. O Estado produz e dá a cada um aquilo de que necessita: trabalho, casa, pão, escola e tudo o mais, tirando de todos primeiro a fé em Deus – o marxismo é oficialmente ateu –, depois a liberdade política e outras. O cidadão passa a ser um escravo a serviço do governo.

A tese até contou com a simpatia dos que, adotando o liberalismo, afirmavam que a propriedade particular é o único meio de superar as desigualdades sociais. É o grande mal que vai se acumulando nas mãos dos poucos que possuem o capital, investindo-o na produção para o bem de todos os que oferecem sua força de trabalho. Na realidade, a propriedade dos bens de produção é a fonte e a causa do distanciamento entre miseráveis, pobres e ricos.

Foram longos anos de uma situação insuportável que, na década de 1980, se provou não ter mais consistência, o que os ideólogos da extrema esquerda sempre chamaram de uma estrutura econômica injusta, sustentando uma infra-estrutura também injusta, causas ambas de todo o sofrimento e pobreza, quando se sonhava com um mundo no qual os que possuíssem dividiriam com os carentes da sociedade aquilo de que necessitassem. Puro idealismo, não correspondente aos fatos e à história.

É pelo trabalho que os bens produzidos devem beneficiar a todos. Um trabalho honesto, com a segurança a que todos têm direito, uma justa distribuição do mesmo igualmente para homens e mulheres, para os que oferecem sua força de trabalho honesto e produtivo. Foi o que acabou acontecendo onde as leis trabalhistas tutelam esses e outros direitos.

Essa é a Doutrina Social da Igreja em um dos seus pontos mais importantes: Deus criou tudo para todos, sem exclusão de ninguém, sendo um direito social indiscutível e universal, o que se poderia chamar de justiça comutativa. Lamentavelmente, não é a situação que vemos no Brasil e em diversos outros países. Ao Estado compete zelar para que estejam em suas mãos, geridos por ele, alguns bens produtivos essenciais. O mais esteja nas mãos de empresários clarividentes e cristãos, preocupados com todos os irmãos. Utopia? Certamente não, até porque já passamos por décadas em que diminuiu a desigualdade social.

O trabalho e o ganho, a propriedade que poderá ir formando com o mesmo, estimula o empenho do operário gerando a possível participação no lucro da empresa e um clima de paz e harmonia social no relacionamento entre as classes, além de uma maior produtividade. São vantagens dos valores cristãos na economia.

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