A falsa educação sexual

Há poucos dias, chegou às minhas mãos um documento da Pastoral Social da Conferência Episcopal da Nicarágua, assinado por Dom Bernardo Hombach, sob o título: “Lucro exagerado com medicamentos contra AIDS é imoral”.

Ultimamente, no Brasil, tem sido largamente anunciado o uso do preservativo. O pretexto é evitar o contágio da AIDS e o engravidamento de alunas nas escolas públicas. Essa iniciativa tem o apoio de autoridades civis, e, inclusive, de progenitores. Ao contrário, a educação sexual, se autêntica, tem por objetivo levar a juventude, desde o desabrochar do instinto sexual, ao reto cumprimento de sua missão procriadora. Cabe aos pais, e depois aos educadores, transmitir as normas bastante precisas e evitar que a educação sexual se transforme em propaganda do sexo; deve, ao contrário, formar para o autocontrole dentro das normas de moral e de bom senso.

Sei do clima erótico que impera em toda a parte, inclusive em novelas e outros programas de TV. É exatamente pela decadência dos costumes que se faz mister dizer a verdade, não fechar os olhos e não promover exatamente o que deveria ser evitado. Assim, nas escolas públicas é oferecido o preservativo para que não haja gravidez e sejam evitadas doenças sexualmente transmissíveis.

O resultado é o que, infelizmente, vemos o desvio de comportamento na juventude e o fracasso de casamentos. E os filhos são as primeiras vítimas da dissolução dos lares.

O documento a que fiz referência no início, com data de 24 de janeiro último, afirma que “a pandemia do HIV é uma das crises mais graves da saúde, da vida social, econômica, de segurança e de desenvolvimento humano que o planeta enfrenta. Mata milhões de adultos em sua maior plenitude”. A preservação dessa epidemia não está na promoção do sexo.
O mesmo se diga do engravidamento precoce. Também afirma o documento: “É importante enfatizar o valor da fidelidade no matrimônio e do compromisso conjugal como fatores fundamentais na contenção da pandemia da AIDS”. Recorda a importância da educação nos valores “para proteger a nossa juventude” e afirma que, “como Igreja, temos de anunciar, contra uma forte pressão da opinião pública, que a verdadeira felicidade não consiste na libertinagem e no hedonismo, mas em uma vida levada segundo a vontade de Deus, segundo a qual a abstinência e o sacrifício são sinais de liberdade interior que conduzem à verdadeira felicidade. Ser livre exige libertar-nos de toda escravidão que nos limita”.

Segundo Dom Hombach, “a informação sobre o preservativo é uma resposta simplista ao que a juventude requer. Não converte a imaturidade em maturidade. A formação, – não somente a informação –, é do que se precisa. Mais que falar sobre o preservativo, será muito mais efetivo preparar e equipar os pais e educadores com os apropriados conhecimentos para educar seus filhos e alunos no valor da sexualidade, relação humana profunda, diálogo de pessoas e não só de corpos, ainda que também se expresse na corporeidade. Banalizou-se a exigência do amor e da ternura, reduzindo-o à pura genitalidade, ao meramente biológico”.

Sobre essa matéria, trago trechos do artigo do Cardeal Alfonso Lopez Trujillo sob o título: “Valores da Família e o assim chamado ‘Sexo Seguro’”, com data de dezembro de 2003. Quatro agências governamentais dos Estados Unidos, responsáveis pela pesquisa sobre preservativos, patrocinaram, juntas, um “Workshop” para “avaliar a evidência divulgada, afirmando a eficiência dos preservativos de látex para a prevenção HIV/AIDS e outras DSTs” (Doenças Sexualmente Transmissíveis). O resultado foi publicado no dia 20 de julho de 2001. “O Workshop Summary” revelou que o preservativo reduz o perigo de contaminação de AIDS/HIV em 85%. Isto significa que há um risco de 15%. Este dado não deve permanecer desconhecido, pois muitos usuários, inclusive jovens, pensam que o preservativo garante segurança total.

De fato, há estudos que demonstram o aumento de casos HIV/AIDS na medida da maior distribuição dos preservativos. O comportamento humano é fator importante na transmissão de AIDS. Sem uma adequada educação, visando o abandono de certas atitudes sexuais, corre-se o risco de perpetuar as conseqüências desastrosas da pandemia.
O “Condom with AIDS in Africa” (13 de dezembro de 2002) divulgou o seguinte: “Enquanto a AIDS se difunde pela África, Uganda é um sucesso isolado. Milhões de ugandenses adotaram uma moral sexual tradicional, inclusive a abstinência sexual fora do matrimônio e de fidelidade no matrimônio, para assim evitar a infecção. Mas a Organização Mundial para a AIDS tem relutado em promover tal estratégia noutro lugar, continuando, ao contrário, a confiar no preservativo”.

Existem relatórios que mostram o êxito da abstinência sexual antes do matrimônio e o da fidelidade dos esposos. No citado exemplo de Uganda, que optou por este programa, a incidência de HIV/AIDS tem sido mais controlada que em outros países.

Comentando algumas dessas informações, Jokin de Irala, professor de epidemiologia na Universidade de Navarra, Espanha, afirmou: “É simplesmente irresponsável o que está sendo feito em muitos países. É um erro que, no final das contas, custará muito caro, confiar cegamente no preservativo e nada mais na luta preventiva, quando já está claro que tal método não tem sido suficiente para frear a epidemia em grupos que, a priori, são grandemente de risco, como os homossexuais. O povo poderia exigir das autoridades mais seriedade e mais originalidade, quando se trata de resolver esses problemas”.

São do Papa Bento XVI as seguintes palavras dirigidas aos participantes da Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina: “Os freqüentes fenômenos de exploração e injustiça, de corrupção e violência, são uma chamada urgente a que os cristãos vivam a sua fé, com coerência, e se esforcem por receber uma sólida formação doutrinal e espiritual, contribuindo assim para a construção de uma sociedade mais justa, mais humana e cristã”.

Não devemos e nem podemos ser parceiros na difusão de algo que afetará a vida de milhões de irmãos nossos e, de modo particular, da juventude, “futuro da humanidade”.

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