A Igreja não é uma ONG, mas uma comunidade de pessoas

Papa comunica mensagem para Jornada Missionária Mundial

A missão é a principal razão de ser da nossa Igreja e seus missionários e missionárias representam uma grande riqueza

A Igreja inteira recebe e comunica ao mundo a mensagem do Papa Francisco para a Jornada Missionária Mundial, que se celebra neste fim de semana. Dentre tantas riquezas das palavra do Papa, colhemos alguns preciosos ensinamentos úteis para a compreensão do mandato missionário, que alcança todos os cristãos (Cf. Mensagem do Papa Francisco).

A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O conhecermos e amarmos. Deus nos ama! Mas a fé pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o Seu amor, agradecidos pela Sua infinita misericórdia.

É um dom que não se pode conservar para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. “O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial” (Bento XVI, Exortação Apostólica Verbum Domini, 95).

Toda a comunidade é adulta quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até as “periferias”, sobretudo, a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo.

Por vezes, há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminadoras estas palavras de Paulo VI: “Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará, é uma homenagem a essa liberdade” (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 80).

A Igreja não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar a mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

Diante do desafio lançado pelo Santo Padre, nosso país, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2013 e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013), faz a sua Campanha Missionária, refletindo sobre “Juventude em Missão”, com o lema tirado do profeta Jeremias: “A quem eu te enviar, irás” (Jr 1,7), que recorda que Deus continua a chamar e a enviar pessoas para anunciar a Boa Notícia de Jesus a todos os povos.

A missão é a principal razão de ser da nossa Igreja e seus missionários e missionárias representam uma grande riqueza. Pela Campanha Missionária, toda a comunidade cristã é convidada a renovar seu compromisso batismal em conformidade ao mandato de Jesus Cristo: “Ide e fazei discípulos todas as nações” (Mt 28,19).

Há algumas contribuições a serem oferecidas ao impulso missionário da Igreja pelos cristãos das diversas idades, estados de vida, classes sociais ou vocações. O ponto de partida é a certeza de que o tesouro da fé é oferecido para ser compartilhado como o mais decisivo talento de nossa existência. Cristão que se preze há de ser militante, empenhado com todas as suas forças para testemunhar o Evangelho. Por isso, cabe-lhe a responsabilidade de fermentar os ambientes em que vive com os valores que fazem a diferença e são bebidos na fonte da Palavra de Deus. Começamos a ser missionários quando o mundo ao nosso redor se torna melhor com nossa presença.

Entretanto, há muitas pessoas, especialmente jovens, rapazes e moças, convocados diretamente pelo Senhor a uma vocação missionária específica. Sim, esta é a ocasião para um chamado vocacional específico, feito hoje com toda força. Não posso me furtar a esta responsabilidade, tendo a certeza de que muitos deles serão tocados pelo convite que faço, em nome do Senhor: “Ide para a minha vinha” (Mt 20,4). O primeiro convite se repete ao longo da jornada de trabalho e no correr da vida, mas chega a hora da resposta, para arregaçar as mangas e começar o trabalho pelo anúncio e testemunho do Evangelho. Desejo que esta Jornada Missionária Mundial veja muitos jovens procurarem suas Paróquias para darem a resposta pedida na Jornada Mundial da Juventude. Há muitas periferias geográficas e existenciais que clamam pela resposta generosa de novos missionários!

Outra contribuição, e não menos importante, para as missões, é indicada por Jesus, quando contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de orar sempre, sem nunca desistir: “Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, nem respeitava homem algum. Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, e lhe pedia: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Não temo a Deus e não respeito ninguém. Mas esta viúva já está me importunando. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha, por fim, a me agredir!'” E o Senhor acrescentou: “Escutai bem o que diz esse juiz iníquo! E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18,1-8). O mundo nos parece ruim ou até perdido? Respondamos com oração insistente e constante. O Pai do Céu não nos abandona e vem ao encontro de nossas necessidades! Oração de louvor, oração de ação de graças, pedido de perdão e súplica! Está em nossas mãos e em nossos lábios, por vontade do próprio Senhor.

Enfim, a Igreja se une, em todo o mundo, na Jornada Missionária Mundial, para oferecer com generosidade a ajuda material necessária aos inúmeros campos de missão, espalhados pelo mundo inteiro. O Brasil inteiro acolhe o apelo do Papa e participa com generosidade da Coleta Missionária. É nosso modo para ir mais longe, ajudando a manter os que, em nome das diversas Dioceses, mas antes ainda, em nome de Deus, evangelizam conosco e em nosso nome.

Rezemos! Ó Deus, quisestes que a vossa Igreja fosse o sacramento da salvação para todas as nações, a fim de que a obra do Salvador continuasse até o fim dos tempos. Despertai nos corações dos vossos fiéis a consciência de que são chamados a trabalhar pela salvação da humanidade até que de todos os povos surja e cresça para vós uma só família e um só povo. Amém!

 


Dom Alberto Taveira Corrêa

Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém – PA.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.