🎓 Sabedoria

O alicerce da fé no lar: paciência e respeito na educação dos filhos

Além de exigente, educar os filhos é uma missão sagrada

​Educar um filho é, essencialmente, uma missão sagrada e um dos exercícios diários mais exigentes. É impossível cumprir esse dever sem que, antes, busquemos a nossa própria educação e o constante aperfeiçoamento pessoal.

A paternidade e a maternidade revelam, a todo momento, a escassez dos nossos próprios recursos, tirando-nos do comodismo e impulsionando-nos de volta a Deus, a fonte de tudo. Diante das imperfeições e misérias humanas, é natural sentir-se incapaz — e há uma beleza nisso. É nesse reconhecimento de fragilidade que Deus nos revela Sua força, sabedoria e direção. Educar é, por excelência, um processo autoeducativo.

Créditos: Arquivo CN.

​A família não é apenas um grupo social, é o lugar onde a criança descobre sua identidade diante de Deus e do mundo. Para que esse desenvolvimento seja saudável, destacam-se três pilares essenciais: a paciência, o respeito à dignidade e a autoridade amorosa.

​A paciência como regulação

​Na psicologia do desenvolvimento, a paciência do adulto é o que oferece a regulação emocional que a criança ainda não possui. O adulto atua como o intérprete da realidade. Ter paciência é acolher limitações e respeitar o tempo de maturação de cada estágio, compreendendo que crianças não são “miniadultos”, mas seres em formação.

​Esse trabalho árduo exige adultos que superem o imediatismo e saibam suportar frustrações, entendendo que a semeadura é longa. Quando pais mantêm a calma diante de uma birra ou erro, não estão sendo “moles”, mas servindo como um espelho de segurança. A criança aprende a autorregulação observando a serenidade de quem a educa. Afinal, firmeza não se confunde com agressividade, assim como serenidade não significa omissão.

​O respeito à dignidade do outro

​Respeitar um filho não significa abrir mão da autoridade, mas reconhecer sua dignidade como pessoa única. Como ensinava São João Bosco: “Procurem fazer-se amar mais do que temer”. Esse amor consiste em desejar que os filhos sejam homens e mulheres de bem, apontando-lhes caminhos dignos e voltados à transcendência, sem sobrecarregá-los com nossas próprias frustrações ou sonhos não realizados.

​Nossos filhos não são extensões de nós. São seres irrepetíveis que têm o direito de trilhar suas próprias vidas. O grande desafio é formá-los livres de nossas expectativas de controle. Precisamos vencer a nós mesmos para não sufocar a autonomia deles; quanto mais superprotegidos, mais despreparados e frágeis estarão diante do mundo. O trato é digno quando educamos o filho para que ele seja quem nasceu para ser, orientando o voo sem impedir a partida.

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A autoridade amorosa

​A autoridade amorosa não se manifesta apenas em afagos e carinhos, mas na orientação firme para o bem. Ela estabelece limites e regras claras que norteiam os passos da criança, sem abandoná-la diante dos erros inevitáveis. É uma autoridade que sustenta e que, em cada oportunidade, reforça diante de Deus o compromisso com o amor e a misericórdia — um caminho que começa aqui e visa o Céu.

Gisele de Assis Vieira dos Santos
Psicóloga clínica e Logoterapeuta
CRP 06/95640