Estreitando os laços

Como criar um bom diálogo com os filhos em cada fase da vida

 Buscar um bom diálogo com os filhos é primordial para os laços familiares

Num mundo onde temos tantas mídias diferentes para nos comunicar, a distância entre as pessoas está cada vez maior, apesar da intensa troca de informações. Este problema se agrava quando se trata da comunicação entre pais e filhos, pois a distância dificulta a construção dos laços afetivos tão necessários para uma vida saudável. A comunicação pode criar pontes que permitem aos pais chegarem até os filhos e vice-versa.

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Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

A primeira dificuldade levantada para uma boa comunicação é a falta de tempo, quando sabemos que ele é prioridade. Os pais podem aproveitar as rotinas diárias para conversar. Outra questão é que os filhos reclamam do tipo de conversa. Para que o diálogo aconteça, precisamos adequar a linguagem adulta à faixa etária, também entrar nas brincadeiras e nos deveres do dia a dia aproxima as gerações.

Quando os filhos são bebês, a linguagem é muito mais de contato, mas as palavras também são importantes. Atenção para o tom de voz, pois eles são sensíveis às mudanças. Aproveite todas as atividades do dia para transmitir o seu amor pelo toque, essa é uma excelente forma de comunicar-se com seu bebê. Dizem que os olhos são a janela da alma, aprenda a falar olhando para ele, pois é sinal de atenção e respeito.

À medida que a criança vai crescendo, o discurso se torna mais estruturado, os pais precisam se preocupar com o conteúdo e a forma, pois as reações se tornam mais resistentes ou não, dependendo da intimidade que está sendo construída.

Quando entram na fase do “por quê?”, não fique impaciente com tantas perguntas, é preciso ajudá-los a entender o mundo de uma forma concreta, explicando os motivos, mesmo achando que para eles não faz sentido, o que pode não ser verdade se a conversa for da forma que a criança entenda. A verdade tem sempre que permear o diálogo, pois onde existem mentiras ou falsas verdades não é possível existir confiança. Um dos pilares de uma boa comunicação é a confiança.

A adolescência por si só é normalmente um período de turbulência, porém, a disputa de poder e necessidade de afirmação dos filhos podem ser minimizadas pelo diálogo construído desde a fase de bebê. Mas se os pais não fizeram essa ponte, ainda é tempo de começar antes que seja tarde demais, pois as crises são constantes nessa fase.

Algumas atitudes são importantes: conheça os amigos do seu filho, pois eles influenciam sua forma de pensar e agir. Se o seu diálogo com ele for bom, poderá evitar futuros problemas. Lembre-se de que a relação com seus filhos é como uma planta, que precisa ser cultivada e regada. Você precisa conhecer seus interesses e suas atividades, os locais que frequentam entre outras coisas, pois é conhecendo que você estabelece o diálogo.

Lembre-se: o diálogo pressupõe falar e ouvir, não só o que é dito com a voz, mas também com os gestos. Seja sincero e conquiste o mesmo do seu filho. Na fase adulta, os discursos são mais próximos, isso não quer dizer que o diálogo seja bom, mas precisa de respeito, confiança e transparência.

Em todas as fases, verifique se você ouve seus filhos e conhece suas ideias, seus sentimentos e opiniões. Os filhos precisam ter liberdade para falar e o sentimento de que serão entendidos, mesmo que os pais não concordem com as ideias apresentadas.

Seus filhos gostam de compartilhar os interesses e os acontecimentos de sua vida? Se sim, ótimo! Se não, busque ser o melhor amigo deles. Procure revezar mãe ou pai. Dependendo do assunto a ser tratado é necessário, pois cada um tem mais ou menos habilidade em determinados assuntos.

Buscar um diálogo com os filhos é primordial para os laços familiares, reforça a união entre os membros, é recheada de carinho, respeito e confiança.


Ângela Abdo

Mestre em Ciências Contábeis pela Fucape, pós-graduada em Gestão de Pessoas pela FGV, Gestão de Pessoas pela Faesa, graduada em Serviço Social pela Ufes e psicanalista. Consultora e Executiva na área de RH e empresa hospitalar. Foi coordenadora do grupo fundador do Movimento Mães que Oram pelos Filhos da Paróquia São Camilo de Lellis, em Vitória (ES) e do grupo de Amigos da Canção Nova de Vitória. Atualmente, é coordenadora nacional e internacional do Movimento Mães que Oram pelos Filhos. Escritora dos livros “La Salette, o grito de uma Mãe!” (2018), “Superação x Rejeição: Aprendendo a ser livre” (2017), “Ser Mulher À Luz da Bíblia: Porque Deus Pode Tudo!” (2016) e “Mães que Oram pelos Filhos” (2016). Participa do programa “Papo de Mãe que Ora”, no canal Mães que Oram pelos Filhos Oficial, e do “Mães que Oram pelos Filhos”, na Rádio América.  

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