Convivência

A importância dos avós para o desenvolvimento emocional dos netos

A relação entre netos e avós é benéfica para ambos os lados

Os relacionamentos parentais são fundamentais para o desenvolvimento da criança. O pai ensina a importância da lei; a mãe ensina que cuidar é uma forma de amar. Na convivência com os irmãos, aprende-se a arte de socializar e partilhar. E os avós, qual é o papel deles?

Para responder essa pergunta, fiz uma viagem no tempo da minha vida. Relembrei minha avó paterna, que morava conosco e cuidava de nós com muito amor. Apesar de muito bonita e trabalhadeira, no meu imaginário ela era uma velhinha. O seu principal ensinamento para mim foi a espiritualidade, ela segurou a família com seus joelhos no chão e, quando morreu, no meu coração ficou uma pergunta: “Quem vai rezar agora por todos?”. E o meu coração respondeu: “Você”. Portanto, os avós são depositários da fé e devem passar isso para seus netos.

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Lições aprendidas com os avós

Os meus filhos desfrutaram da presença dos avós maternos por muitos e muitos anos, em uma convivência onde eles participaram, inclusive, da educação deles. Aprenderam a importância de respeitar os mais velhos, pois a cabeceira da mesa era do meu pai e, por sermos uma família, precisávamos cuidar uns dos outros, tanto é que, os exemplos e conselhos que ficaram em nossa memória, hoje, são repetidos para os filhos e netos.

Os meus netos aproveitaram todo o “mel” dos bisavós na infância e o nosso cuidado especial como avós. Quando queriam ter cachorros e não podiam, porque moram em apartamento, encontravam na casa dos avós o espaço que precisavam para conviver com os animais e aprender a cuidar deles.

Relembrando esses momentos, quanto aprendi e ensinei sem perceber! Como o repertório verbal e afetivo foram ampliados, pois as crianças ficavam atentas para entender esse mundo dos adultos.

O almoço de domingo ficou na nossa memória afetiva como o dia da família. O almoço é ponto de encontro facultativo, mas que ninguém falta, a única coisa que mudou foi o local. Primeiro, era na casa da minha mãe, agora, aqui em casa e no futuro será na casa da minha filha.

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Interessante ver é que as relações mudaram, pois os adultos não davam muita “confiança” para as crianças, e isso trazia um desejo grande de crescer para obter algumas regalias. Hoje, as relações se inverteram, pois a atenção é focada nas crianças e, muitas vezes, os adultos se tornam reféns, isso trouxe um maior diálogo, mas, em contrapartida, uma baixa resistência à frustração.

Avós e netos, relação benéfica para ambos os lados

Entretanto, é fato, que a relação entre netos e avós é benéfica para ambos os lados. A convivência ajuda as crianças a ter uma visão mais ampliada da família, a sabedoria que a idade traz ajuda a focar em pontos que são importantes para a educação. Minha filha, um dia, questionou-me, porque deixei meu neto comer batata frita com leite condensado. Respondi que isso ajuda ele a ousar e fazer diferente. Ele cresceu e ainda gosta dessa combinação.

A minha neta, um dia, dormiu sem tomar banho. A mãe brigou e questionou por que eu deixei. Foi porque ela me mostrou a placa que tenho na sala “na casa do vovô tudo pode”. Os avós podem ser cúmplices, mas não podem ser comparsas de erros importantes dos netos, precisam ajudar os pais. Os avós são educadores que trazem consigo a história de vida e da família, juntamente com os valores e as regras que formam o caráter das pessoas.

Por outro lado, os avós aprendem muito com os netos, principalmente hoje, nas questões digitais. As crianças se sentem mais valorizadas, porque podem cuidar e serem úteis a outras pessoas. O cuidado que se precisa ter é não fazer dos avós “babás de luxo”, onde a responsabilidade de cuidar é terceirizada pela mãe.

Em alguns casos, os filhos são deixados inteiramente com os avós. Nesses casos, valem as regras da casa onde estão e a convivência precisa de ter limites mais rígidos. É preciso estabelecer claramente as funções dos pais e dos avós, e que a experiência dos avós não coloque em cheque a autoridade dos pais. Que a ternura e o acolhimento não sejam maiores que os limites estabelecidos pelos pais, pois a vontade paterna deve ser soberana. Não existe receita pronta, porém, a convivência pacífica entre avós e pais trará um grande ensinamento sobre a aceitação das diferenças para os filhos.

Qual a importância dos avós na vida das crianças? Sabemos que a convivência dos avós é fundamental para crianças e pais criarem um ambiente saudável, onde se aprende a amar, respeitar e confiar.


Ângela Abdo

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais.

Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.

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