Retiro Popular 4ª semana

A partir da experiência de Maria Madalena, os discípulos de Jesus também se encontram com o Ressuscitado. Se Maria Madalena pensou que fosse o Jardineiro, os discípulos de Emaús o confundiram com um andarilho, os apóstolos, no Cenáculo, julgaram estar vendo um fantasma. Depois, quando alguns deles passaram a noite no lago, em busca de peixes, ali também devem aprender a ver com olhos novos. O Ressuscitado tem a liberdade para assumir diversas figuras e
oferece sinais para ser identificado. “Maria” é um nome pronunciado pelo Mestre e Senhor, agora reconhecido, que a envia em missão. A “fração do pão” é o sinal para os discípulos de Emaús, que voltam logo para anunciar o Senhor que viram e se tinha também revelado a Simão. Com os discípulos que pensavam ver fantasmas, ele até “compartilha a refeição”, para dali nascer o envio, pois são chamados a testemunhá-lo. Enfim, à margem do lago, “prepara-lhes a refeição”, acolhendo-os e enviando, em Pedro, a grande Barca da Igreja, chamada a percorrer os mares do mundo e da história, levando a Boa Nova a todos.

Os homens e as mulheres que seguiram a Jesus na primeira hora de sua missão percorreram etapas de formação, nas quais aprenderam muito. Só o Espírito Santo, dado de presente no Mistério Pascal76, os confirmará e lhes concederá
a coragem necessária para o anúncio da Palavra até os confins da terra. Também nós, “seus discípulos e discípulas, somos chamados a navegar mar adentro para uma pesca abundante. Trata-se de sair de nossa consciência isolada e de nos lançarmos, com ousadia e confiança – parresia– à missão da Igreja”

1. Durante esta semana, sua oração diária do Retiro Popular começará com a Ladainha do Espírito Santo:

2. Na segunda parte da Quaresma, a Igreja quer preparar-nos para a Vigília Pascal, na qual renovamos os compromissos batismais. Ela nos mostra dimensões complementares do sacramento fundante de nossa vida de fé. Jesus se mostrou Água viva à samaritana, Luz do Mundo ao cego de nascença e se manifestará Ressurreição e Vida, devolvendo Lázaro à convivência dos seus. No Batismo, nos tornamos templos do Espírito Santo, luz que nos vem do alto. Sinais da ação do Espírito são a água (“No último dia,que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva. Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado”), o fogo (“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”) e o sopro de vida (“Profetiza ao espírito, disse-me o Senhor, profetiza, filho do homem, e dirige-te ao espírito: eis o que diz o Senhor Javé: vem, espírito, dos quatro cantos do céu, sopra sobre esses mortos para que revivam. Proferi o oráculo que ele me havia ditado, e daí a pouco o espírito penetrou neles. Retornando à vida, eles se levantaram sobre seus pés: um grande, um imenso exército.
Então o Senhor me disse: filho do homem, esses ossos são toda a raça dos israelitas. Eles dizem: nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta; estamos perdidos! Por isso, dirige-lhes o seguinte oráculo: eis o que diz o Senhor Javé: ó meu povo, vou abrir os vossos túmulos; eu vos farei sair deles para vos transportar à terra de Israel. Sabereis então que eu é que sou o Senhor, ó meu povo, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer sair deles, quando eu puser em vós o meu espírito para vos fazer voltar à vida e quando vos hei de restabelecer em vossa terra. Sabereis então que sou eu o Senhor, que o disse e o executei – oráculo do Senhor.”).

3. Nossa quarta semana da Quaresma começa com a leitura orante da Palavra de Deus: Para as pessoas que têm acesso à Internet, a LectioDivina tem um magnífico site (www.lectionautas.com), através do qual se cria uma rede de pessoas que querem se aproximar da Palavra de Deus com este método tão antigo. Dela extraímos algumas propostas para esta semana: A Lectio Divina, mais do que um método de leitura da Bíblia, é uma experiência de encontro com o Senhor, pois a dinâmica interna dos passos que ela sugere não se esgotam no texto oferecido, mas conduz a uma experiência espiritual, buscando retomar o que foi vivido pelo autor sagrado, atualizando-o na própria vida. Depois de ter conhecido o texto bíblico através da leitura e da meditação, se passa à oração, já que quem teve o contato pessoal com o Senhor se coloca em suas mãos, pedindo sua ajuda e graça para dar sentido à própria existência. O ponto de chegada é a contemplação do Senhor, para viver a experiência da gratuidade do encontro com Deus, que se dá a conhecer e que busca o encontro conosco. Do encontro com o Senhor, a ação será a conseqüência natural, sabendo que o texto sagrado não é uma informação, mas uma Boa Nova, e que devemos transformá-la em vida, para ter a vida que só o Senhor nos pode dar.

4. Jesus, que é luz do mundo e ilumina a escuridão da humanidade, nos é apresentado com o episódio da Cura do Cego de nascença (Jo 9,1-41 ), a primeira Lectio Divina da semana

5. Esta história nos toca de perto, pois, em certo sentido, somos todos cegos de nascença. Sabemos que o próprio sentido natural da visão se desenvolve pouco a pouco, nos primeiros meses de vida, quando o bebê ainda não distingue algumas características das coisas que estão em torno de si. É maravilhoso observar uma criança que “aprende” a ver, olhando tudo e todos, como uma magnífica câmera que acolhe as informações que lhe chegam. Quanto ao olho da fé, ele permite ver um mundo diferente, o mundo de Deus. Também é necessário aprender e retomar freqüentemente os passos dados.
O cego de nascença é enviado à piscina de Siloé para mostrar que este olhar de fé começa no Batismo.
De fato, o Batismo é também chamado de Iluminação. O cego descobre Jesus, depois o reconhece como profeta e em seguida reconhecido como “Senhor”. E o cego se prostra para adorá-lo. E nós? Quem é Jesus para cada um de nós, para mim e para você? É hora de gritar como o cego de nascença: “Creio, Senhor!”

6. Todo o caminho da Evangelização conduz ao acolhimento do dom do Espírito Santo, a ser suplicado e acolhido com alegria. A fé que professamos em Jesus Cristo é resultado da ação do Espírito que age em nós. “Ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: Jesus seja maldito e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo”. Os diversos dons e carismas encontram sua fonte somente no Espírito: “Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz.
Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos”.

7. A Igreja é chamada a anunciar o Evangelho. Esta é sua principal tarefa: O Senhor nos disse: “não tenhais medo”. Como às mulheres na manhã da Ressurreição nos é repetido: “Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo?”. Os sinais da vitória de Cristo ressuscitado nos estimulam, enquanto suplicamos a graça da conversão e mantemos viva a esperança que não defrauda. O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas todo o amor recebido do Pai, graças a Jesus Cristo, pela unção do Espírito Santo. Esta prioridade fundamental é a que tem presidido todos os nossos trabalhos que oferecemos a Deus, à nossa Igreja, a nosso povo, a cada um dos latino-americanos, enquanto elevamos ao Espírito Santo nossa súplica para que redescubramos a beleza e a alegria de ser cristãos. Aqui está o desafio fundamental que contrapomos: mostrar a capacidade da Igreja de promover e formar discípulos que respondam à vocação recebida e comuniquem, em todas as partes, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo.
Não temos outro tesouro a não ser este. Nãotemos outra felicidade nem outra prioridade que não seja sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – seu serviço! – que a Igreja deve oferecer às pessoas e nações. Esta é a proposta para todos nós. Este é o nosso lugar na Igreja e no mundo, conduzidos pelo Espírito Santo de Deus.

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