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Frutos do Espírito Santo: a alegria cristã, muito além da felicidade

Os frutos do Espírito Santo surgem quando o Espírito Santo habita em um crente

Os frutos do Espírito Santo surge como o resultado do cultivo do caráter do Espírito Santo em um coração. Gálatas 5,22-23 descreve a aparência desse fruto; a segunda característica listada é a alegria.

Crédito: PeopleImages / GettyImages

Alegrai-vos no Senhor

Na carta de São Paulo aos Filipenses (4,4), ele orienta a comunidade dos cristãos: “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito: alegrai-vos”. É importante compreender que, quando Paulo escreve a carta aos filipenses, ele já estava preso em Roma, solitário, encarcerado pelo “crime” de proclamar Jesus como Senhor e Redentor.

Parece contraditório: alguém que está preso e próximo da morte convidar toda uma comunidade a cultivar o dom da alegria.

O fato de estar preso não limita o dom da alegria em seu coração, porque ela não está submetida às circunstâncias, dificuldades ou tribulações. Ao escrever, o Apóstolo nos mostra que a verdadeira alegria é uma escolha de fé, esperança e confiança em Deus. A verdadeira alegria, doada pelo Espírito Santo, não depende de bens materiais ou de circunstâncias favoráveis, mas se alicerça na esperança em Cristo Jesus.

É alegre quem confia

Essa alegria baseia-se na convicção de que Deus está ao nosso lado. São Paulo sabia que iria morrer; sua esperança, entretanto, não estava na possibilidade de ser absolvido. Pelo contrário, sua esperança estava na possibilidade de encontrar-se com Jesus após o seu martírio.

Isso mostra a cada um de nós que, quando nossa esperança é colocada apenas neste plano terreno, ela tende ao fracasso e, depois do fracasso, à tristeza. Quando confiamos em Deus e na sua providência, mesmo que as coisas não aconteçam como gostaríamos, sabemos que Ele realiza o melhor.

Jesus, no Evangelho de Lucas (11,11-13), diz:

“E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, ainda, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!”.

Portanto, a âncora da nossa confiança precisa estar colocada na bondade do Pai que está nos Céus. Assim, experimentaremos, sem dúvida alguma, a verdadeira alegria.

Alegria vs. Felicidade

A felicidade costuma depender de acontecimentos bons, enquanto a alegria espiritual é incondicional, pois nasce da certeza do amor de Deus e da vida eterna. Não depende das condições externas, ou seja, deste mundo material.

A verdadeira alegria, como fruto do Espírito Santo, surge da comunhão com Deus e da obediência a Cristo, que os Evangelhos nos apresentam como a videira verdadeira.

Como sabemos, o fruto só pode vir depois que a semente foi plantada, germinou, cresceu e deu flores; somente após esse processo virá o fruto. Esse processo é conhecido como “cultivo”.

Na nossa vida espiritual acontece da mesma forma: o terreno é o nosso coração e a nossa alma; a semente é a graça recebida no batismo; a planta será o resultado das nossas escolhas.

Se escolhermos uma vida de santidade — ou melhor, uma vida no Espírito — daremos frutos de santidade. Se escolhermos o pecado, apagaremos pouco a pouco a graça que está dentro de nós.

Continuando nessa lógica do cultivo, cabe a nós, todos os dias, cultivarmos a comunhão com o Senhor por meio da oração, da Santa Missa, da Palavra de Deus e da vida sacramental. Assim, estaremos “adubando”, alimentando e fazendo crescer em nós uma vida espiritual consistente, que nos dará, sem dúvida, a graça da verdadeira alegria.

Portanto, a felicidade depende de realizações externas, elogios, conquistas e confortos; já a alegria consiste na comunhão com Cristo e na esperança de uma vida nova além desta realidade passageira.

Alegria na provação

Mesmo no sofrimento, o cristão pode ter alegria, pois sabe que Deus está no controle e que a tristeza é passageira. Todos os dias precisamos lutar com força contra a tentação da tristeza, como nos ensina a Palavra de Deus em Eclesiástico 30,26: “A tristeza matou a muitos”.

A Palavra nos revela que a tristeza pode ser fonte de muitos males, inclusive da morte. Como já compreendemos que a alegria é fruto da esperança no Senhor, quando alimentamos a tristeza, estamos nos afastando de Cristo.

Por isso, quando a provação vier, renuncie a si mesmo e volte-se para o Senhor. Sustente-se pelo Evangelho que diz:

“Felizes sois quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus”.

Assim, quando essas situações vierem, não se entristeça; ao contrário, louve ao Senhor, pois você estará mais próximo d’Ele na cruz e, com certeza, com Ele ressuscitará.

O livro do Eclesiástico (30,23) diz:

“A alegria do coração é a vida do homem, uma fonte inesgotável de santidade. A alegria do homem prolonga os seus dias”.

Um coração alegre produz:

Gratidão;

Ânimo;

Paz;

Senso de dever cumprido;

Disposição para servir a Deus e ao próximo com entusiasmo, em vez de murmuração.

Reflete a luz de Deus em todas as situações.
Deus abençoe!

Leonardo Vieira
Natural de Itaporanga/PB. Missionário da Comunidade Canção Nova, desde 2017 no modo de compromisso do Núcleo.
Instagram:@leocancaonova