ENTENDA

A Virgem Maria e a Renovação Carismática Católica

Entenda o papel da Virgem Maria na Renovação Carismática Católica

A Virgem Maria, que um tipo de catolicismo parecia ter colocado de lado, ‘volta’ com os Movimentos eclesiais e as novas comunidades. Esta é uma descoberta também para Renovação Carismática Católica, uma corrente de graça difundida entre mais de cento e vinte milhões de católicos romanos.

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A Renovação Carismática se manifesta em geral na Igreja e no mundo com as suas Assembléias de oração concentradas em Jesus, como Senhor e Salvador dos cristãos, no louvor a Deus e no uso espontâneo de carismas do Espírito Santo, como a glossolalia e a exortação espiritual de tipo profética.

Por meio dessas manifestações carismáticas Deus desperta, num mundo secularizado e atormentado, um espírito novo de adoração ao seu Nome, capaz de realizar novas obras de salvação para os homens e de preparar a sua Esposa, a Igreja, ao encontro final com Ele.

Na Renovação Carismática o papel de Maria é essencial. A experiência carismática na Igreja católica, nesses últimos 35 anos, revelou uma alma profundamente ‘mariana’ de Renovação.

O relacionamento com Maria é direto e se faz experiência da sua maternidade espiritual, durante esses encontros de oração de tipo carismático. É uma presença evidente. As invocações a Ela têm um sabor simples, por vezes até despojado, mas não privo de um aprofundamento teológico e espiritual.

Maria é o modelo de carismática

Maria, porém, não é só objeto de devoção e de invocação por parte dos carismáticos. Maria é apresentada na Renovação Carismática como modelo nos seguintes aspectos:

Em primeiro lugar, como tipo da Igreja com a sua receptividade ao Espírito Santo, o qual forma Cristo no Povo de Deus. Tal doutrina, recolocada em primeiro plano pelo Concílio Vaticano II, revelou Maria como o espelho da Igreja, em relação à sua presença desde antes da Efusão do Espírito Santo em Jerusalém. Em segundo lugar, Maria é o modelo de um perene pentecostes na Igreja. A experiência da Efusão do Espírito Santo sobre Maria em Jerusalém não foi nem a primeira nem a única. São Lucas apresenta também a Anunciação como um protopentecostes de Maria.

Os termos que usa para os dois eventos são na verdade idênticos: no momento da Anunciação dirá: ‘Virá sobre ti o Espírito Santo’ (Lc 1,35) e o Pentecostes: ‘Ao descer sobre vós o Espírito Santo’ (At 1,8). A consonância não é artificial. Também o Concílio Vaticano II enfatizou isso nos Documentos Lumen Gentium (59) e Ad Gentes (4).

Sem dúvida, a Mãe do Senhor terá vivido muitas outras experiências pentecostais durante a sua existência terrena, como aquela que nos foi referida por Lucas na casa de sua prima Isabel, onde uma nova Efusão de Espírito Santo se manifestará com uma tamanha evidência de expressões carismáticas (Lc 1,39).

Maria, portanto, é objeto por excelência do favor de Deus (Lc 1,28), foi a primeira a ser colocada sob o impulso do Espírito (Lc 1,35) como modelo de todas as almas que anseiam ser ‘batizadas no Espírito e no fogo’ prometido por Jesus (Lc 3,16; At 2,3).

Maria é o protótipo de um contínuo e incessante pentecostes na Igreja em vista da interiorização de Cristo e do anúncio missionário da Igreja até aos extremos confins da terra (At 1,8).

Em terceiro lugar, Maria é também modelo de vida carismática. Com efeito, a primeira comunidade cristã é apresentada como comunidade carismática. Foi na expansão daqueles dons, que as cartas de Paulo chamam carismas (cf 1 Cor 12,4-11; Ef 4,11-12), que se manifestou a vinda do Espírito Santo, a fundação da Igreja e a difusão do Evangelho.

Em todas as narrações ligadas à descida do Espírito Santo sobre Maria, vemos manifestar-se, em primeiro lugar, uma extraordinária explosão de louvor e de adoração a Deus, como o Magnificat (Lc 1,46-56) e de glorificação a Deus em línguas desconhecidas como no Pentecostes de Jerusalém (At 2,4-13).

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Mas outro dom carismático está na base da experiência do Espírito em Maria: aquele da profecia. Todas as experiências narradas por São Lucas no Evangelho e nos Atos atribuem um estreito relacionamento entre a vinda do Espírito e, por exemplo, o carisma profético exercitado no canto do Magnificat.

Mas Maria não é a única. Este carisma floresce também em meio ao povo de Deus, como em Isabel que profetiza: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu seio’ (Lc 1,43-44); em João Batista, que exulta no seio de Isabel e que, segundo uma tradição mística da Igreja, é o seu primeiro gesto carismático e profético; em Zacarias com o cântico do Benedictus, paralelo ao Magnificat.

Se Renovação Carismática católica recupera alguns aspectos da Virgem Maria como tipo pneumatológico e carismático, como profetiza e glossolálica, o importante em tudo isso é que Maria é para a Igreja o modelo mais autêntico da vida cristã e da sua missão evangelizadora.

É a sua ‘parte melhor’, que ninguém pode tirar dela e devemos, pelo contrário, reconduzir à luz.

Matteo Calisi
Líder internacional da Renovação Carismática Católica. Fundador da Comunidade de Jesus – Itália. Membro da Fraternidade Católica da Associação e Comunidade .

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