Decisão

O perdão deve ser declarado em todas as circunstâncias

Perdão íntimo e interior são sementes para novas feridas. O perdão precisa ser verbalmente declarado

O perdão não pode ser somente uma decisão interior, guardada no fundo do coração. O perdão precisa ser exteriorizado. Perdão íntimo e interior são sementes de novas feridas. O perdão precisa ser verbalmente declarado. Assim como um juiz que precisa proclamar a sentença, a pessoa que decide perdoar deve declarar o perdão. Mais do que desejado e pensado, o perdão tem de ser declarado. O perdão exige uma palavra de proclamação. Nem que seja sozinha, no banheiro ou no automóvel, a pessoa, quando se decide pelo perdão, precisa falar em voz alta: “Eu perdoo!”. E precisa falar num tom de voz que, ao menos ela mesma possa ouvir. E falar repetidas vezes.

Foto ilustrativa: Paula Dizaró / cancaonova.com

O perdão precisa ser gotejado no próprio ouvido. É do ouvido que chega ao coração.

O ideal seria poder proclamar o perdão para quem nos ofendeu, entretanto, nem sempre é possível. A pessoa pode não querer ouvir o perdão, ou estar impossibilitada de fazê-lo, como por exemplo, se morar longe ou já tiver morta, porém, mais importante do que a pessoa ouvir é você falar.

O perdão é, em primeiro lugar, um gesto curador para a gente mesmo. Portanto, declare o perdão. Fale sobre o perdão. Goteje perdão em seus próprios ouvidos, por meio de palavras seguras e decisivas que revelem o desejo da vontade.

O poder da palavra

Nossa palavra tem poder de ligar e desligar, unir e separar, concretizar nossos sonhos e anseios. A palavra é a grande arma para ferir e para curar o coração. O ser humano se constrói ou se destrói pela palavra. Um amor se constrói ou se destrói pela palavra dita na hora certa; calada na hora necessária.

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O perdão deve ser declarado em todas as circunstâncias. Não interessa se a pessoa está perto ou longe, e nem interessa se ela deseja ou não ser perdoada. Pode ser que ela não queira ser perdoada e não peça perdão. Tudo bem! Sua decisão de perdoar tem de ser maior do que o pedido ou a omissão de quem provocou a ofensa. Muitas vezes, aquele que nos ofendeu não se sente culpado. Talvez tenha apenas reagido e se ache perfeitamente justificado. Há casos em que, a pessoa que nos ofendeu, se sente injustiçada por ser considerada culpada. Claro que, nesse caso, essa pessoa não nos pedirá perdão. Não importa: é preciso perdoar e declarar o perdão. É preciso gotejar perdão no próprio coração.

Padre Léo, scj

(Trecho do extraído do livro “Gotas de cura interior”)

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