Uma cultura de paz

Em 24 de janeiro de 2002 o Papa João Paulo II convidou os líderes das grandes religiões do mundo para um “Dia de Oração pela Paz”. O evento aconteceu em Assis, junto à basílica de São Francisco de Assis, o santo da paz e da ecologia. Um líder islâmico disse: “Santo Padre, só tu poderias convocar os líderes religiosos do mundo para este encontro. Só tu poderias fazê-lo e tu o fizeste. Nós te agradecemos”.

Para o dia 1° de janeiro de 2003, o mesmo Pontífice emitiu uma linda mensagem sobre a paz, como eco da famosa encíclica de João XXIII: “Pacem in Terris” (A paz na terra). O contexto do Papa João XXIII era o risco de uma guerra atômica. Quarenta anos depois, felizmente superamos a guerra fria entre o bloco socialista e capitalista, mas estamos sob ameaça de novas guerras e em várias partes do mundo eclodiram conflitos cruéis e sangrentos. É neste novo contexto que o Bispo de Roma convida a humanidade a celebrar o “Dia Mundial da Paz” com oração e reflexão. Já o “Papa Bom” afirmava que “o caminho para a paz passa pela defesa e a promoção dos direitos humanos fundamentais”. Também reclamara uma autoridade pública internacional para garantir o bem comum universal e a inviolável e irrenunciável dignidade do ser humano.

A ONU (Organização das Nações Unidas) cumpre em parte esta necessidade. Contudo reina no mundo uma grande desordem, que reclama uma nova ordem moral internacional, com o fortalecimento de estruturas de diálogo e de cooperação entre as nações.

Existe uma ligação entre paz e verdade. A política não está desvinculada da moral e da ética. A política não é mero jogo de interesses. Não é uma espécie de “zona franca” sem lei moral, mas claramente baseada na dignidade e nos direitos da pessoa.

Devemos ensaiar “gestos de paz” para criar uma “tradição de paz” e uma “cultura de paz”. Gestos de paz brotam de pessoas que cultivam no próprio espírito atitudes de paz e têm em grande apreço a dimensão comunitária da vida.

A Religião deve suscitar gestos de paz e consolidar condições de paz, portanto se baseia na abertura a Deus, ensina a fraternidade universal e promove uma cultura solidária.

Hoje, como há quarenta anos atrás, é urgente promover uma cultura de paz contra a propaganda da guerra e invocar o poder de Deus para que os gritos de guerra se transformem em canções de paz.

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