Um coração vazio

“Os incomensuráveis bens de Deus só podem ser acolhidos por um coração vazio”. (São João da Cruz)

Que bela verdade! Que difícil verdade!

Acredito que, quanto mais nos aproximamos de Deus, tanto mais temos o desejo de nos aprofundar, de criar laços com esse Deus tão vivo e tão presente, laços de amor, criar vínculo, criar intimidade, ser íntimos do Senhor e isso só acontece, porque como nos diz o Salmista: “Nossa alma tem sede de Deus, e sede do Deus vivo!”

É como um transeunte qualquer a vagar por horas a fio, em um deserto, sob um sol escaldante, apenas com um pouco dágua em seu reservatório. Há nesse homem uma sede insaciável, quanto mais água ele bebe, mais sede tem.

Assim é nossa alma, assim somos nós, sedentos de Deus, vagando pelo deserto, que é a nossa vida, ora sob o forte sol, ora na noite escura, mas independente das condições que nos cercam, estamos sempre sedentos, estamos sempre necessitados dessa água viva, que só o Senhor pode nos dar.

Foi como aconteceu com aquela samaritana, no poço de Jacó. Quantas desilusões! Quantas decepções! E ali estava ela, diante da verdade absoluta, diante Daquele que poderia saciar sua sede, devido a uma realidade, tão sofrida, tão machucada, diante daquilo que vivia, por caminhar há tantos anos no deserto e buscar saciar sua sede em fontes não puras, enchendo seu coração de coisas que passam, enchendo-se de entulhos.

Foi então, que, ao esvaziar o coração, ela pediu: “Dá-me de beber!” Assim somos nós, buscamos saciar a nossa sede em tantas coisas, em tantas situações, em pessoas que não podem corresponder aos desejos e anseios do nosso coração, e acabamos por nos decepcionar, e, por que nos decepcionamos? Porque não temos um coração vazio!

Como é difícil ter um coração pobre, vazio, simples… Trazemos em nosso coração muitos entulhos: mágoas, ressentimentos, desilusões, decepções, planos, projetos, sentimentos desordenados, sonhos e tantas outras coisas, que vão enchendo o nosso coração, e assim, entulhado de tantas coisas, nosso coração já não é capaz de comportar a grandeza dos bens que Deus tem a nos oferecer.

É necessário termos um coração vazio, um coração pobre, um coração abandonado, livre e dependente de Deus.

Somente os livres podem ser usados poderosamente por Deus, somente os livres são capazes de acolher os incomensuráveis bens que Deus os destina, pois mesmo tendo uma alma sedenta Dele, buscam saciar tamanha sede no próprio Deus, no Deus Vivo, e assim, criam laços, criam intimidade, criam vínculos. À medida que são preenchidos por Deus, vão se desfazendo de tudo aquilo que os aprisiona, de todos os entulhos que apenas ocupam lugar, de tudo que é passageiro e vão, tendo assim, um coração pobre, vazio, livre, capaz de acolher os bens que Deus tem a lhe oferecer.

Deixo para você o desafio de fazer uma faxina em seu coração, tirando todos os entulhos e tornando-o vazio, pobre, desapegado, abandonado, para ser, então, preenchido por Deus, pelo Deus Vivo!

Com orações.

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