Tesouro escondido

Sempre a humanidade procurou a felicidade. Hoje em dia há uma acentuação nesta busca. ‘O importante é ser feliz’ é uma afirmação muito comum. A emoção é algo que move as pessoas, determina comportamentos. Busca-se a alegria. A beleza seduz. Tudo deve ser apresentado em cores. A forma é sumamente importante. A novidade é procurada em primeiro lugar.

No meio de um mundo assim, parece que há pouco espaço para a religiosidade. Parece. Na frenética corrida para ser feliz, de repente nota-se a falta de autenticidade. Nem tudo o que emociona satisfaz verdadeiramente. Nem tudo o que brilha realmente vale. As novidades vêm e vão. Logo cansam. São substituídas.

A gente procura a felicidade em ‘coisas’, no que é visível, sensível, palpável. Mas, ao mesmo tempo, intui que existe algo invisível que atrai, algo que realmente vale, algo que emociona e que não vai embora logo, algo que seduz e não é descartável. Onde encontrar esse ‘algo’?

A pergunta está posta corretamente, no que se refere ao encontro, mas incorretamente, no que se refere ao objeto do desejo. Nós, no fundo, não buscamos algo, mas ansiamos encontrar alguém. É um encontro pessoal o que faz tanta falta. E não qualquer encontro, mas o encontro verdadeiro, total e definitivo.

Existe esse encontro? A frase do Evangelho que citamos acima diz que sim. Diz que o que precisa encontrar é o reino dos Céus. E que este reino é um tesouro. O valor dele? Incalculável. Acima de toda expectativa. Está, porém, escondido. Ele existe, sim, mas está escondido.

Para que ele encha de alegria uma pessoa, é só encontrá-lo. Quem o encontra fica tomado de alegria. Esconde de novo o tesouro, quase com medo de que o dono do campo não lhe venda o terreno. Usa de esperteza. Depois sai e vende tudo o que tem. Recolhe tudo o que pode com um só objetivo: comprar aquele campo. E o compra. Assim fica com o tesouro que o encheu de alegria.

Existe ainda hoje esse tesouro? Existe, sim. E onde está ele? Está escondido. O segredo é encontrá-lo. Quem o encontra não precisa mais de dinheiro (‘Felizes os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus’); é consolado, recebe a terra em herança; é saciado, alcança misericórdia; é puro e vê a Deus; promove a paz e é chamado filho de Deus; é feliz, se perseguido por causa da justiça (cf. Mt 5,3-10).

Madre Teresa de Calcutá, por exemplo, encontrou este tesouro. São Francisco o encontrou. Santa Teresinha o encontrou… É preciso ser santo para encontrá-lo? Não. Mas quando ele é encontrado, ele torna as pessoas santas: porque são atraídas pelo Pai, redimidas pelo Filho, santificadas no Espírito. E elas passam a viver a aventura totalmente nova da comunhão de amor, vivificante e forte, com a Trindade e da comunhão de serviço, verdadeira e realizadora, com os irmãos e irmãs nesta peregrinação.

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