Sociedade e Igreja na atualidade

“Se mantiverdes com ardor os vossos anelos pelo Senhor, sabereis evitar a mediocridade e o conformismo, tão espalhados na nossa sociedade…” Mensagem do Santo Padre João Paulo II para o XVII dia mundial da juventude – 2001

A sociedade moderna é marcada por inúmeras e novas particularidades que refletem diretamente no comportamento e na formação da identidade e dos valores de todos os seus membros. Isolar-se desta realidade ou querer manter-se totalmente imune aos seus efeitos é praticamente impossível. Num mundo marcado pela cultura do efêmero, do individualismo egocêntrico, da indiferença pelo sofrimento alheio, preservar os valores cristãos e conservar a dignidade humana constitui um verdadeiro desafio.

A Igreja Católica preocupa-se com a nova conjuntura mundial e suas conseqüências na vida da população. Prova disso é que o tema “Sociedade e Igreja na atualidade” será tratado na V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenha, que será realizado em Aparecida – SP, no período de 13 a 31 de maio de 2007 e é a motivadora da visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Esta conferência tem grande importância na América Latina com reflexos na Igreja do mundo inteiro. Um de seus objetivos é traçar diretrizes pastorais que orientem a postura dos fiéis diante dos novos desafios do mundo globalizado cada vez mais carente dos valores evangélicos.

Segundo Anthony Giddens, sociólogo-político inglês, autor de várias obras que refletem sobre a sociedade contemporânea e suas características e desafios, o “eu” é diretamente influenciado pela nova realidade da vida urbana pós-moderna. As mudanças em aspectos íntimos da vida pessoal estão imediatamente ligadas ao estabelecimento de novas conexões sociais, tornando-se muito importante compreender os fenômenos da modernidade, para entender as mudanças da identidade e a reflexibilidade da individualidade no contexto social.

O dinamismo é uma das características mais marcante da atualidade. Entre outras coisas, ele permite que um fenômeno econômico, político ou social local altere o cotidiano em diversas partes do mundo muito rapidamente. A mídia e a tecnologia permitem que as informações circulem com grande facilidade e em curtíssimo espaço de tempo, não permitindo, muitas vezes, práticas e preceitos preestabelecidos. Como a sociedade está constantemente em renovação, ela exige que os indivíduos tornem-se flexíveis para acompanhá-la. A modernidade transformou as relações sociais e também a percepção sobre a segurança e a confiança, gerando incertezas, superficialidade, suspeitas e instabilidade na individualidade e coletividade.

Há uma nítida inversão e relativização dos valores, onde as estruturas familiares e os relacionamentos interpessoais sofrem mudanças significativas. O mercado de trabalho está cada dia mais concorrido e exigente. A “ideologia do ter” é cada vez mais incentivada, produzindo pessoas consumistas e eternamente insatisfeitas, cada vez menos preocupadas com a justiça e a igualdade social.

Como agir diante desta nova realidade? O que fazer para manter uma vida equilibrada e significativa? Como conservar valores que consideramos tão importantes e que cada dia são atacados mais diretamente? Sem dúvida a Igreja, como sábia mãe, nos indica caminhos para que sejamos verdadeiros protagonistas da ação evangelizadora e salvífica no mundo, sem adotarmos uma visão alienada, tampouco acomodada. Certamente o caminho a percorrer é o da solidariedade e união. A vivência do amor é essencial para garantir a permanência dos valores cristãos na sociedade. Que possamos ser sempre dóceis ao amor ao próximo e às instruções apostólicas da Igreja.

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