Resgatando vidas, semeando amor

Angústia, ausência de perspectiva profissional e pessoal, desestruturação familiar, envolvimento com más companhias, solidão, baixa auto-estima, insegurança… Muitos podem ser os motivos que levam os jovens à experimentação, ao consumo excessivo e, em última instância, à dependência química. O processo de recuperação e a posterior reinserção dessas pessoas na sociedade é tarefa árdua que exige empenho e perseverança das entidades beneficentes que tomam para si essa incumbência. É o caso do Centro de Apoio e Recuperação de Dependentes de Drogas (Cactos), uma instituição fundada na cidade de Santos em 1989, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida.

Não raro essas entidades são a única opção dos jovens dependentes que, em sua maioria, enfrentam enormes dificuldades físicas, psicológicas e financeiras. Relatório divulgado em julho de 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU) aponta uma tendência de aumento de consumo de cocaína no Brasil e em toda a América do Sul nos últimos quatro anos. Lembramos que a cocaína é a droga que mais rapidamente causa danos à saúde. Por outro lado, a liderança do consumo ainda é ocupada pelo cigarro, pelo álcool e pela maconha. O estudo prova que estamos caminhando na contramão dos países da Europa e também dos Estados Unidos, que tiveram os índices de consumo dessas substâncias estabilizados. Em entrevista à revista Isto É – publicada após a divulgação do estudo – o psiquiatra Reinaldo Laranjeira explica que o número de usuários cresce aproximadamente 10% ao ano no Brasil.

Na mesma entrevista, Laranjeira afirma que no Brasil temos apenas 80 centros de recuperação de dependentes químicos financiados pelo governo – o que equivale a uma instituição para cada dois milhões de habitantes. Na Inglaterra, a realidade é bem diferente: há um centro para cada 100 mil habitantes. Essas informações nos fazem valorizar ainda mais o trabalho do Cactos, que recebe jovens encaminhados pela justiça, por associações e igrejas, pela comunidade e por indicação de ex-usuários que já conhecem o programa. Atualmente, a entidade atende cerca de trinta internos maiores de 15 anos e do sexo masculino.

A estrutura física do projeto se divide em três frentes de trabalho: o Centro de Triagem, a Fazenda Monsenhor Ciro Fanha e a Paróquia Nossa Senhora Aparecida. E é justamente na paróquia que as pessoas recebem as primeiras reuniões de orientação. O grupo de profissionais e voluntários também presta um serviço destinado aos familiares dos internos, que têm um papel essencial na recuperação dos dependentes.

Após passar pela triagem e pelos exames laboratoriais, os jovens são encaminhados à Fazenda, onde iniciam o tratamento baseado na laborterapia (terapia pelo trabalho). Diversas atividades compõem o dia-a-dia dos internos, que têm à sua disposição oficinas terapêuticas, horticultura, lazer, palestras, filmes técnicos e educativos, artesanato, psicoterapia individual e em grupo, terapia cognitiva-comportamental, prevenção de recaída, terapia de habilidades sociais, reuniões de espiritualidade e participação no Grupo de Motivação.

Durante o tratamento, os dependentes passam por várias fases e aprendizados que incentivam o contato com a terra, o cultivo e o preparo de alimentos, a higiene, o relacionamento interpessoal, a humanização, a responsabilidade, a percepção dos limites e a capacidade de construir algo (artesanato). Outra situação abordada é o medo da recaída e as possíveis dificuldades de readaptação à sociedade – temores constantemente vivenciados pelos internos. Por isso mesmo, a entidade prossegue ministrando reuniões e encontros semanais, que servem de apoio após o término da internação.

Estamos diante de um trabalho cuja base é a crença no ser humano e na superação de seus limites. Nesse sentido, o amor ao próximo é a essência de mais essa Lição de Vida que aprendemos com os profissionais e voluntários do Cactos. Esperamos que eles prossigam desempenhando esse trabalho maravilhoso e servindo de inspiração para mim, para vocês e para todos nós.

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